O vinho sem álcool vem ganhando espaço no mercado global, enquanto as vendas de vinhos tradicionais recuam. Dados da NielsenIQ apontavam, no início de janeiro de 2026, um crescimento de 29,1% nas vendas de vinhos sem álcool, ao mesmo tempo em que o mercado geral de vinhos registrava queda de 4,9%.
O que mudou
Especialistas e produtores atribuem a evolução do segmento à melhoria das técnicas de produção e ao interesse de enólogos que passaram a tratar a bebida como um produto com identidade própria, e não apenas como alternativa ao vinho alcoólico. Empresas como a ALTR avançam em tecnologias que removem o álcool mantendo as demais características do vinho, por exemplo utilizando membranas que preservam aroma e estrutura, possibilitando rótulos zero álcool e de baixo teor alcoólico.
Estilos e processos
O termo “vinho sem álcool” engloba abordagens distintas. Três categorias principais são apontadas: vinhos nunca totalmente fermentados, que usam mosto de uva ou verjus e às vezes botânicos; vinhos parcialmente fermentados, com fermentação interrompida para deixar pouco álcool; e vinhos desalcoolizados, que partem de um vinho totalmente fermentado e depois têm o etanol removido por técnicas como destilação a vácuo, osmose reversa ou spinning cone.
Cada método apresenta vantagens: vinhos não fermentados e com botânicos permitem modelar sabor e textura; os parcialmente fermentados preservam aromas frescos e doçura natural; já os desalcoolizados partem de uma base já estruturada, o que ajuda a manter acidez e complexidade quando o álcool é retirado com cuidado.
Produtos e regiões de destaque
Vinhos sem álcool vêm sendo lançados em diferentes países. No Chile, o Serena Mode 0.0, da Miguel Torres Chile, usa tecnologia de cone giratório para conservar caráter varietal em versões Sauvignon Blanc e Rosé. A Giesen 0%, da Nova Zelândia, também parte de vinhos-base de qualidade antes de remover o álcool, oferecendo equilíbrio e frescor, inclusive em estilos levemente frisantes.
Na Califórnia, o Missing Thorn, cocriado por Aaron Pott e Stephanie Honig, aplica processos meticulosos na elaboração do vinho-base e uma destilação suave para eliminar álcool, mantendo aromas e sabores naturais, com complementos adicionados de forma controlada. A Tomorrow Cellars oferece rótulos como um Petite Sirah com notas de amora e especiarias, um Rhône Blanc com pera e madressilva, e um Sparkling Blanc de Rhône com jasmim e final de grapefruit.
Alemanha e tradição
A Alemanha ocupa posição de destaque histórica na categoria. Produtores alemães trabalham com vinhos de baixo teor alcoólico e sem álcool há décadas, o que se reflete em liderança técnica atual. O clima frio do país favorece vinhos naturalmente com menor teor alcoólico e acidez elevada, características que se adaptam bem à desalcoolização.
Imagem: Divulgação/Marielle V ChauApreciando o vinho sem álcool da Tomorrow Cellars
Exemplos citados incluem a Leitz, que demonstrou que vinhos sem álcool podem manter frescor e expressão varietal sem exagero de doçura, como no Leitz Eins Zwei Zero Rosé. A Loosen Brothers produz o Dr. Lo, a partir de um Riesling do Mosel que passa por destilação a vácuo suave, preservando mineralidade e acidez características da região. Outros rótulos alemães mencionados são o Alkoholfrei Müller-Thurgau e a linha Zerozzante da Raumland.
Presença no Brasil
No mercado brasileiro, espumantes desalcoolizados como os da Freixenet recebem destaque em rankings da My Best Brasil. Produtores nacionais também lançaram opções: a Cooperativa Vinícola Garibaldi oferece o frisante Relax Alcohol Free feito com Moscato; há vinhos sem álcool da Aurora e da La Dorni; e o Shantori se apresenta como o primeiro espumante não alcoólico à base de chás do país, elaborado com Pai Mu Tan e notas de rosas e laranja.
O segmento mostra-se diversificado em técnicas e estilos, com lançamentos em diferentes mercados e maior atenção de produtores tradicionais e inovadores.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6