A iniciativa do Tribunal de Contas da União (TCU) que questiona a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC), desencadeou novos sinais de cautela entre investidores nesta semana. A intervenção do ministro Jonathan de Jesus, relator do caso no TCU, foi apontada por profissionais do mercado como gatilho para a procura por instrumentos de proteção e para um aumento do custo de seguro contra calote brasileiro no exterior.

Na quarta-feira, 7 de fevereiro, o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil avançou 2,5%, saindo de 136,8 pontos para 140,2 pontos. O movimento foi acompanhado de perto pelas tesourarias dos principais bancos locais. Já na manhã de quinta-feira, 8, dados da S&P Global Market Intelligence indicavam continuidade – ainda que moderada – da tendência, com o indicador em 140,32 pontos, patamar mais alto desde 19 de dezembro.

Preocupação institucional

Operadores relatam que uma eventual reversão da decisão tomada pelo BC contra o Banco Master seria lida como fragilização da autonomia da autoridade monetária e, por consequência, do arcabouço jurídico nacional. “Recebo ligações de bancos estrangeiros tentando entender como normas podem ser revistas por um tribunal de contas”, afirmou um executivo do setor, sob reserva.

A avaliação predominante é de que o episódio trouxe um componente adicional de incerteza para a percepção de risco Brasil, refletida nas cotações do CDS e em outros ativos domésticos. O câmbio, a curva de juros e a bolsa registraram ajustes que, segundo participantes, tinham caráter principalmente técnico, mas ganharam fôlego após a decisão do TCU.

Efeito na curva de juros

A inclinação da curva brasileira aumentou, com maior elevação nas taxas de longo prazo. Profissionais lembram que o Tesouro Nacional lançou nesta semana um título prefixado de prazo mais extenso, o que já gerava pressão sobre esses vértices. Ainda assim, a atuação do TCU foi vista como um dos fatores que reforçaram a busca por prêmio adicional.

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Para um trader de renda fixa de instituição de grande porte, o leilão do novo papel prefixado foi o principal motor da disparada dos juros longos, mas o ruído em torno do Banco Master “contaminou” o sentimento. Outro operador citou “burburinho” de que o caso poderia estar distorcendo os preços de CDS e, por tabela, afetando o mercado de dívida doméstica.

Ainda não há consenso sobre a magnitude da influência do processo no TCU sobre ativos brasileiros no médio prazo. No entanto, a leitura imediata é que qualquer sinal de interferência judicial ou administrativa capaz de limitar a prerrogativa do Banco Central alimenta preocupações sobre segurança jurídica e, consequentemente, sobre o chamado risco Brasil.

Com informações de Revistaoeste