TRANSMISSÃO: Record

Estamos na terça-feira, 14 de abril. Na noite de segunda-feira (13), o dólar comercial fechou a R$ 4,997, marca que a reportagem aponta como relevante no cenário cambial.

Cenários

O fechamento do dólar abaixo de R$ 5,00, ainda que por uma diferença mínima, sinaliza para analistas um maior apetite ao risco no mercado. Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, atribui o movimento a um fluxo externo favorável a mercados emergentes e à entrada de capital estrangeiro direcionado, em especial, para a renda fixa doméstica. Segundo ele, esse ingresso de recursos tem contribuído para a valorização do real e exercido pressão de baixa sobre o dólar.

Beto Saadia, economista‑chefe da Nomos, afirma que a apreciação do real frente ao dólar não é inédita: é uma tendência que se observa desde 2025 e que se intensificou no início de 2026. Para Saadia, o Brasil tem atraído vultosos aportes estrangeiros por fatores como taxa de juros elevada e balança comercial superavitária, impulsionada sobretudo por commodities agrícolas. Esses elementos colocam o país em posição relativamente favorável diante de questões como a política tarifária dos Estados Unidos.

O economista também destaca que outros emergentes têm captado recursos à medida que investidores buscam diversificar sua exposição fora do mercado americano. No entanto, o conflito entre Estados Unidos e Irã teria redirecionado parte desse fluxo de forma positiva para o Brasil. Países que concorriam por esses recursos — como Colômbia, Chile, México, Canadá e Coreia do Sul — estariam mais fragilizados pela alta dos preços do petróleo, segundo Saadia. Ele cita a dependência da Coreia do Sul por energia importada, essencial para sua indústria de hardware, e aponta instabilidade institucional na Colômbia, além de preocupações tarifárias no México e no Canadá. O Chile, por ser economia menor, teria menor capacidade de absorver investimentos.

Saadia não descarta a hipótese de que, em horizonte mais longo, o dólar possa recuar até R$ 4,90, embora ressalte que esse processo pode apresentar solavancos.

Outro indicador de otimismo no mercado brasileiro foi o Ibovespa, que na segunda-feira superou pela primeira vez os 198 mil pontos. Foi o segundo recorde consecutivo, após o fechamento acima de 197 mil pontos na sexta-feira (10). A alta nominal na segunda foi de 0,3%.

Perspectivas

O início da terça-feira trouxe expectativas positivas entre investidores com a possível retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. O petróleo Brent foi cotado a US$ 98,6 o barril, queda de 0,75% em relação à segunda-feira. Nos negócios de pré-mercado, os contratos futuros dos principais índices americanos e as cotas do ETF EWZ iShares MSCI Brazil aparecem em alta.

Indicadores

BRASIL

Imagem: Getty

Crescimento do Setor de Serviços (Fev) — Esperado: ND / Anterior: 0,3%

Crescimento do Setor de Serviços (12M) — Esperado: ND / Anterior: 3,3%

ESTADOS UNIDOS

Inflação no atacado / IPP (Mar) — Esperado: 1,1% / Anterior: 0,7%

Núcleo da inflação no atacado / IPP (Mar) — Esperado: 0,4% / Anterior: 0,5%

O movimento do câmbio e a sequência de máximas do índice acionário refletem, segundo analistas citados, um ambiente de maior apetite por risco e de alocação internacional de recursos em direção ao Brasil.

Com informações de Forbes