Em poucos anos, a rotina de adolescentes que praticam esportes passou a se dividir entre treinos presenciais e uma presença constante nas redes sociais, onde resultados, séries de treino e imagens de pódio são publicados em perfis abertos e privados. Essa exposição cria duas frentes na carreira desses atletas: o trabalho cotidiano nos treinamentos e a aparência pública construída para seguidores, influenciadores e desconhecidos.
TRANSMISSÃO: Band
Como as redes sociais interferem na saúde mental
A saúde psicológica dos jovens atletas é influenciada por vários elementos — rotina de treinos, ambiente familiar, relações com técnicos e expectativa sobre o futuro — e as redes sociais adicionaram mais um componente: o julgamento permanente de um público amplo. Curtidas, comentários e reações passam a ser interpretados como formas de aceitação ou rejeição, funcionando como um painel paralelo de avaliação ao lado dos resultados oficiais das competições.
Durante a adolescência, quando a identidade ainda está em formação, o reconhecimento externo pode se tornar parte importante da autoestima. Medir esse reconhecimento pelo engajamento digital pode provocar oscilações no humor, queda de motivação e alterações na percepção do próprio progresso. Além disso, jovens tendem a se comparar tanto com pares quanto com atletas profissionais, intensificando a sensação de não estar à altura.
Impacto sobre o desempenho e a rotina de treinos
O uso das redes não se resume a efeitos emocionais: há interferências práticas na organização e na qualidade do treino. Celulares usados para gravar ou postar durante sessões dividem a atenção do atleta, afetando a concentração em orientações técnicas e a percepção corporal, elementos essenciais em qualquer modalidade. A exposição a múltiplas referências — corridas longas, treinos de força, velocidade, cross training — pode levar a mudanças frequentes de metas sem um planejamento coerente, reduzindo a evolução consistente e aumentando o risco de frustração.
- Interrupção de treinos para gravar vídeos ou fotografias;
- Dificuldade em seguir instruções do treinador por distração;
- Adoção rápida de exercícios vistos online sem adaptação;
- Redução do sono por uso de telas à noite;
- Maior tensão em provas pela expectativa de exposição pública.
Riscos de copiar treinos da internet e orientações práticas
Rotinas e programas encontrados online muitas vezes são pensados para públicos diferentes — adultos, atletas de elite ou projetos de curto prazo — e podem ser reproduzidos por adolescentes sem considerar histórico, idade ou limitações. Essa prática pode gerar sobrecarga, dores recorrentes e queda de rendimento, além de desalinhar o trabalho com a comissão técnica.
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- Checar se o autor do conteúdo tem formação em educação física, fisioterapia ou áreas afins;
- Verificar se há indicação de adaptação individual do programa;
- Evitar copiar planilhas completas sem consultar treinador ou preparador;
- Desconfiar de promessas de resultados rápidos e sem ressalvas;
- Priorizar materiais de clubes, federações, instituições acadêmicas e profissionais reconhecidos.
Sinais de que o uso das redes está excessivo e medidas de prevenção
Indícios de relacionamento prejudicial com as redes incluem a necessidade de transformar todo treino em conteúdo, desconforto ao não registrar uma sessão e frustração intensa por baixa repercussão. Mudanças de humor ligadas a críticas online, perda de interesse em atividades fora do esporte, piora do sono e tendência a evitar competições por medo da exposição também são sinais de alerta.
Para reduzir esses efeitos, recomenda-se estabelecer horários para acessar conteúdo, manter o celular fora do alcance durante parte dos treinos, dialogar com família e equipe sobre a diferença entre a rotina e a imagem editada nas redes e procurar acompanhamento psicológico quando pressão e ansiedade se tornarem frequentes. Definir limites claros sobre o que compartilhar ajuda a preservar aspectos pessoais e restabelecer o foco no desenvolvimento esportivo como objetivo principal.
Com informações de Correiobraziliense

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6