Em 14 de abril de 1983, há exatos 43 anos, David Bowie lançou o álbum Let’s Dance, trabalho que redesenhou a trajetória artística do músico e marcou o som da década de 1980. O disco é, até hoje, o mais vendido da carreira de Bowie, com 10,7 milhões de cópias comercializadas no mundo.

TRANSMISSÃO: Band

Encontro decisivo e gravações

No fim de 1982, Bowie atravessava uma fase de transição: após trabalhos experimentais como a Trilogia de Berlim e Scary Monsters, buscava um disco mais direto, dançante e acessível. A virada aconteceu em Nova York, quando ele encontrou Nile Rodgers, produtor e guitarrista à frente do Chic, no club Continental. A afinidade por blues e R&B antigos selou a parceria responsável pela nova direção sonora.

As sessões de gravação ocorreram em dezembro de 1982 nos estúdios Power Station, em Nova York. Rodgers trouxe músicos associados ao Chic e Bowie incorporou à equipe o jovem guitarrista texano Stevie Ray Vaughan para os solos. Segundo relatos das sessões, Bowie gravou todos os vocais em apenas dois dias.

Faixas e desempenho

Let’s Dance reúne oito faixas que combinam pop energético, grooves funk e influências do blues elétrico:

Imagem: Icônico

  • Modern Love — A faixa de abertura, com riff marcado e refrão contagiante; alcançou o Top 2 na Billboard Hot 100.
  • China Girl — Regravação de uma canção que Bowie compôs com Iggy Pop para The Idiot (1977); o single ganhou clipe filmado na Austrália e entrou no Top 10 em vários países.
  • Let’s Dance — Música-título e carro-chefe do álbum; atingiu o número 1 tanto na Billboard Hot 100 quanto no Reino Unido, permanecendo no topo por semanas; os solos de guitarra de Stevie Ray Vaughan se destacam.
  • Without You — Balada com influência soul que mostra um lado mais contido do álbum.
  • Ricochet — Faixa mais experimental do conjunto, com letras de teor político e arranjos que remetem ao art-rock.
  • Criminal World — Cover da banda Metro, apresentado com um groove marcante e produção de Rodgers.
  • Cat People (Putting Out Fire) — Regravação da música que Bowie havia feito com Giorgio Moroder para a trilha do filme Cat People (1982), aqui em versão mais rockeira.
  • Shake It — Encerramento leve e dançante, com forte pegada funk.

Impacto e legado

O sucesso do álbum foi amplo: alcançou o primeiro lugar em diversas paradas e gerou três singles de grande alcance internacional. No verão de 1983, Bowie chegou a ter dez álbuns simultaneamente nas paradas britânicas, feito então superado apenas por Elvis Presley. A turnê Serious Moonlight Tour, que divulgou o disco, tornou-se a maior da carreira do artista e consolidou sua condição de superstar pop global.





Ao mesmo tempo, o êxito comercial trouxe uma contradição: a popularidade de Let’s Dance distanciou Bowie de parte da experimentação que caracterizou sua obra anterior. Em entrevistas posteriores, ele reconheceu que o álbum abriu novas portas cujo caminho nem sempre lhe parecia claro. Ainda assim, o disco segue considerado um marco na discografia do músico e um momento em que ele dominou, de forma deliberada, a pista de dança.

Com informações de Vagalume