Um levantamento genético com 16 mil genomas, publicado na revista Nature, aponta que a seleção natural continua a influenciar traços físicos humanos, favorecendo alelos associados ao cabelo ruivo e reduzindo a predisposição à calvície em parte da população.

O que o estudo mostrou

A análise dos genomas revelou mudanças recentes no DNA que estariam sendo privilegiadas em ambientes urbanos e em diferentes contextos climáticos. Os autores afirmam que variações específicas têm diferenças de frequência que sugerem ação seletiva voltada à sobrevivência e à reprodução no cenário contemporâneo.

Quais características foram afetadas

Entre os traços destacados, o estudo registra um aumento estatístico na ocorrência de genes relacionados ao cabelo ruivo em determinadas latitudes e uma tendência de redução da predisposição genética para perda precoce de cabelos em homens. Os pesquisadores também identificaram sinais de adaptação metabólica relacionados ao processamento de dietas típicas de ambientes urbanos e indicativos de seleção para genes que contribuem para maior longevidade média.

Como essas mudanças ocorrem

Segundo os pesquisadores, pequenas mutações que conferem vantagens em contextos atuais podem se propagar por populações em prazos relativamente curtos. No caso do cabelo ruivo, há hipótese de que a maior frequência desses alelos esteja associada a adaptações na síntese de vitamina D em regiões com menor incidência solar, além de possíveis efeitos de migrações e preferências sociais que alteram a composição genética local.

Por que a calvície estaria diminuindo

A redução observada na predisposição à calvície é interpretada no estudo como um efeito de seleção sexual, em que características ligadas à aparência podem influenciar percepção de saúde e vigor em diferentes culturas, mesmo que não afetem diretamente a sobrevivência. Os pesquisadores também apontam interconexões genéticas entre genes relacionados à queda de cabelo e processos hormonais que estariam sendo refinados ao longo do tempo.

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Os resultados reforçam a ideia de que a evolução humana continua em curso e responde de forma dinâmica a mudanças ambientais, sociais e tecnológicas, produzindo variações fenotípicas e fisiológicas detectáveis em períodos recentes.

Com informações de Olhardigital