O corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em março de 2026, reduzindo-a de 15% para 14,75% ao ano, reacendeu o debate sobre a necessidade de migração entre fundos imobiliários de papel e de tijolo. Com expectativa de continuidade no processo de flexibilização, investidores questionam se devem realocar posições dos fundos que investem majoritariamente em títulos imobiliários (FIIs de papel) para aqueles que detêm imóveis físicos (FIIs de tijolo).
O que mudou e por que importa
O Copom sinalizou o início de um novo ciclo de cortes, mas não deixou previsibilidade sobre os próximos passos, segundo a analista Lana Santos, do Clube FII. Para ela, a redução de 0,25 ponto foi simbólica e marca o começo de uma trajetória de relaxamento do custo de crédito, embora a curva de juros continue elevada — acima de 7% —, o que ainda pressiona ativos de maior risco.
Diferenças entre papel e tijolo
FIIs de papel, que aplicam em instrumentos como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) indexados ao CDI ou à inflação, beneficiaram-se dos juros altos ao entregar rendimentos consistentes e proteção patrimonial contra inflação. Com taxas em queda, esses fundos tendem a perder protagonismo gradualmente, já que seus rendimentos acompanham a redução do CDI.
Por sua vez, FIIs de tijolo — com portfólios compostos por shoppings, galpões logísticos, lajes corporativas e hospitais — reagem de forma diferente: cortes na Selic podem valorizar imóveis, elevar o preço das cotas e facilitar novas emissões para expansão dos fundos. Esse efeito, porém, depende de reação positiva da economia e do crescimento da atividade.
Riscos e sinais de mercado
Apesar do cenário prospectivo para os fundos de tijolo, o mercado ainda demonstra incerteza quanto à recuperação plena, refletida em descontos significativos em alguns segmentos. O segmento de lajes corporativas, por exemplo, apresenta deságio de até 28% em relação ao valor patrimonial em determinados casos. No primeiro trimestre de 2026, o Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) acumulou alta de 2,5%, dado que demonstra alguma resiliência do setor em meio às movimentações macroeconômicas.
O que o investidor deve fazer
Segundo Lana Santos, o recomendável não é uma migração total entre classes, mas sim um rebalanceamento ponderado da carteira. Investidores devem identificar os indexadores dos fundos, avaliar o peso de cada classe no portfólio e considerar objetivos pessoais antes de qualquer movimentação. Uma alternativa mencionada é reduzir exposição a ativos indexados ao CDI e aumentar posições atreladas ao IPCA, seja trocando fundos ou escolhendo FIIs com indexação híbrida.
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Para quem busca valorização do capital, um reposicionamento gradual em direção a fundos de tijolo pode ser adequado. Para investidores focados em renda previsível, seguir com parte dos FIIs de papel — ajustando indexadores quando necessário — permanece uma opção válida enquanto a Selic estiver em patamares elevados. A recomendação enfatiza ajustes graduais e conscientes, preservando a complementaridade entre os segmentos.
O movimento sugerido é, portanto, de equilíbrio: manter a diversificação entre papel e tijolo, revisar indexadores e rebalancear conforme o perfil e objetivos do investidor, sem decisões bruscas de migração total.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6