Uma pesquisa da Vurdere aponta que o uso do WhatsApp como canal de vendas no comércio eletrônico traz maior conversão, mas gera rejeição entre consumidores de maior renda e eleva substancialmente o custo para obter avaliações pós-compra.

O estudo, que analisou o comportamento de mais de 120.000 consumidores, mostra que o WhatsApp entrega três vezes mais resultados de vendas do que o e-mail. No entanto, o custo de solicitar avaliações por meio do aplicativo é muito maior: pode chegar a ser oito vezes mais caro do que por e-mail.

Segundo a pesquisa, há diferença marcada na aceitação do canal conforme a classe socioeconômica. Cerca de 68% dos consumidores das classes A e B consideram o recebimento de convites para avaliar produtos via WhatsApp uma invasão de privacidade. Em contraste, 62% dos clientes das classes C e D aprovam esse tipo de contato, citando a facilidade e a sensação de atendimento mais humanizado.

Custos e eficiência

A Vurdere detalha a disparidade financeira quando se compara campanhas por e-mail e por WhatsApp. Para obter 10.000 avaliações, uma ação por e-mail custaria cerca de R$ 10.000, enquanto a mesma iniciativa via WhatsApp alcançaria custo próximo de R$ 80.000. A empresa informa ainda que o envio de um formulário de avaliação por e-mail é 24 vezes mais barato do que por WhatsApp, embora a taxa de conversão do e-mail seja 3 vezes menor.

Diante desses números, a pesquisa questiona se vale a pena arcar com um acréscimo de R$ 70.000 para obter melhores taxas de conversão por meio do WhatsApp, especialmente se essa escolha pode afastar clientes com maior Lifetime Value (LTV).

WhatsApp aumenta vendas, mas afasta consumidores das classes A e B e eleva custo de avaliações no e-commerce

Imagem: Bruno De Blasi/Canaltech

Segmentação e omnichannel

O levantamento também destaca que grandes varejistas, como Amazon e Mercado Livre, evitam o uso indiscriminado do WhatsApp e priorizam canais menos invasivos, como e-mail ou notificações dentro do próprio app. A recomendação apresentada é adotar uma estratégia omnichannel segmentada: analisar a base de clientes, permitir que o consumidor escolha seu canal preferido — por exemplo, no momento do checkout — e reservar o WhatsApp para os segmentos que o aceitam mais, como as classes C e D.




Segundo a simulação da Vurdere, uma comunicação segmentada pode sair 57% mais barata do que uma estratégia que use apenas o WhatsApp e gerar 80% mais avaliações do que uma abordagem baseada somente em e-mail. O estudo conclui que o caminho eficiente passa por respeitar as preferências e a privacidade do consumidor ao definir os canais de contato.

Com informações de Canaltech