Transmissão: Globo

O produtor Felipe Britto, da Ginga Pictures, afirmou que os visuais do álbum EQUILIBRIVM, de Anitta, foram concebidos com cuidado para não transformar elementos das religiões de matriz africana em mera decoração. Segundo Britto, a cantora trouxe referências claras para o projeto e posicionou o respeito às tradições como prioridade desde o início.

Os visuais do trabalho foram divididos em quatro capítulos — I – Despacho; II – Fé e festa; III – Deus mãe; e IV – Renascimento — e foram concebidos para retratar a vivência dos terreiros e o espaço da fé da artista, que já havia mostrado sua intimidade religiosa no videoclipe de “Aceita”, do álbum Funk Generation (2024).

Felipe explicou que a equipe realizou pesquisa, convidou pessoas com pertencimento às tradições representadas e evitou espetacularização: a intenção, segundo ele, era exaltar, não utilizar símbolos sagrados como cenário. O produtor lembrou que essa postura da cantora orientou todo o processo criativo e de produção. Ele também destacou a participação da diretora criativa Nídia Aranha e do diretor Manuel Nogueira na construção e execução do universo visual.

O material foi gravado em Ibitipoca, Minas Gerais, no chamado Ibiti Projeto — local descrito por Anitta como alinhado aos valores do álbum, com ênfase em sustentabilidade e convivência comunitária — e a escolha da locação trouxe desafios logísticos. Britto relatou que se tratou de uma produção 360° em ambiente de parque estadual, com múltiplas equipes atuando em paralelo, luz natural, elenco e coreografia, o que exigiu adaptação constante frente a imprevistos.

O álbum EQUILIBRIVM chegou aos tocadores no último dia 16. Durante as filmagens em Minas, Anitta levou alguns dos artistas que aparecem como convidados na tracklist — entre eles, os rappers Rincon Sapiência e KING Saints — e os convidados tiveram voz ativa na concepção dos visuais, contribuindo com opiniões sobre como queriam aparecer nas cenas.

Imagem: Divulgação

Britto também comentou a abordagem estética adotada para o videoclipe de “Desgraça”, que Anitta declarou ser o único single do disco a ganhar um clipe até o momento, enquanto as demais produções são tratadas como visuais. Na peça, a equipe decidiu inserir “breaks” em que o silêncio assume papel narrativo, permitindo que a imagem tenha protagonismo e o espectador sinta o peso da cena sem música cobrindo tudo.

O produtor ressaltou que a soma das referências trazidas por Anitta — que inclui fotografia documental, iconografia das religiões de matriz africana, moda local e cinema latino-americano contemporâneo — ajudou a acelerar o processo criativo e a consolidar uma identidade própria para os visuais. Felipe também recordou trabalhos anteriores com a artista, como o documentário da Netflix Larissa: O Outro Lado de Anitta (2025).





As filmagens e a direção dos visuais buscavam, segundo a equipe, coerência entre a mensagem do disco e o ambiente onde foram produzidos, e priorizaram pesquisa e pertencimento ao tratar símbolos religiosos, sempre com o objetivo declarado de exaltação e responsabilidade.

Com informações de Portalpopline