A Oncoclínicas informou na noite deste domingo (26) que Marcel Cecchi Vieira deixou os cargos de vice‑presidente executivo, diretor financeiro e diretor de relações com investidores da companhia.

Cecchi, sócio da gestora Latache — maior acionista da rede de tratamento oncológico —, ocupava as funções havia pouco mais de um mês. Em conjunto com a renúncia, o conselho de administração nomeou Marcos Grodetzky como novo presidente do colegiado, mudança que altera a correlação de forças dentro da empresa a quatro dias da assembleia marcada para 30 de abril.

A movimentação ocorre enquanto a Oncoclínicas enfrenta uma crise financeira. No balanço anual divulgado em 9 de abril, a companhia admitiu “incerteza relevante” quanto à sua continuidade operacional. A empresa registrou prejuízo de R$ 3,6 bilhões em 2025, montante 80% superior às perdas de 2024, e tenta negociar waivers de cinco emissões de debêntures para evitar o vencimento antecipado de dívida que supera R$ 4 bilhões.

Até a assembleia de 30 de abril, Carlos Gil Moreira Ferreira, atual presidente e diretor médico, acumulará a função de vice‑presidente executivo. As atribuições de diretor financeiro deixadas por Cecchi serão assumidas interinamente por Isaac Quintino, diretor financeiro não estatutário.

Cecchi havia assumido a posição financeira em meados de março, após a saída inesperada de Camille Loyo Faria, que também permaneceu pouco mais de um mês no cargo. Faria — com passagens por Americanas e Oi — renunciou 48 horas depois da divulgação de um acordo não vinculante com Porto Seguro e Fleury para venda parcial da Oncoclínicas. Esse negócio foi abandonado por Porto e Fleury em 14 de abril, deixando a companhia em busca de novas alternativas para lidar com sua dívida.

Marcos Grodetzky, ex‑CFO da Cielo, integra o conselho como conselheiro independente desde janeiro, quando foi indicado pelo Goldman Sachs. Nas últimas semanas, Grodetzky ganhou visibilidade ao votar contra o acordo com Porto Seguro e Fleury, posição que dividiu com o também independente Raul Rosenthal Ladeira de Matos.

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A mudança no comando do conselho é vista como alinhada à agenda da Mak Capital, fundo americano que detém 6,3% da Oncoclínicas e tem pressionado por uma reestruturação completa da governança. A Mak indicou Grodetzky e Rosenthal como dois dos quatro nomes que pretende eleger ao novo conselho na próxima quinta‑feira, junto com Mateus Bandeira, ex‑CEO da Oi, e Ademar Vidal Neto. O fundo, que administra US$ 1,7 bilhão, ofereceu até R$ 500 milhões em capital novo desde março, condicionando o aporte à destituição do conselho atual.





As mudanças ocorrem em um momento crítico para a companhia e antecedem decisão dos acionistas na assembleia agendada para 30 de abril.

Com informações de Investnews