Com a aproximação das férias de julho, a escolha de meios de pagamento para viagens volta ao centro do planejamento e o Pix passa a ser opção viável também fora do Brasil. A tecnologia de pagamentos instantâneos vem sendo adotada de forma gradual em estabelecimentos no exterior, por meio da leitura de QR Codes, desde que o lojista esteja integrado a plataformas que viabilizam a operação.
Na prática, o consumidor escaneia o QR Code, paga em reais pelo aplicativo do banco e o comerciante recebe em moeda local, sem necessidade de o viajante lidar com câmbio ou cartões internacionais. “Com o fluxo intenso de brasileiros em determinados países, alguns lojistas passaram a aceitar Pix. O consumidor só precisa escanear o QR Code, como faz aqui e realizar o pagamento instantâneo em reais pelo aplicativo do banco”, diz Helene Romanzini, líder de Produto da Wise no Brasil.
Como funciona
O procedimento é semelhante ao uso do Pix no Brasil, mas depende de uma infraestrutura tecnológica que converte o valor em tempo real e gera o QR Code com o montante em reais. Em muitos casos, a conversão é feita automaticamente pela máquina de pagamento, deixando a experiência do usuário equivalente a uma compra doméstica e eliminando etapas como a compra prévia de moeda estrangeira.
Infraestrutura e plataformas
Empresas do setor têm construído redes de interoperabilidade entre sistemas de pagamento. A PagBrasil lançou o RoamingPay para conectar o Pix brasileiro a sistemas como Transferencias 3.0 (Argentina), SIPAP (Paraguai) e Bre-B (Colômbia), com a proposta de viabilizar pagamentos internacionais em tempo real pelos aplicativos bancários. Ralf Germer, co-CEO da PagBrasil, afirma que “os sistemas de pagamento estão se tornando infraestrutura estratégica, como energia ou telecomunicações”. A empresa projeta movimentar cerca de US$ 600 milhões no primeiro ano da solução.
Bancos e soluções próprias
Instituições financeiras também desenvolvem produtos para permitir pagamentos com Pix no exterior. O banco BS2 criou o Voucher Pay, que possibilita que brasileiros paguem compras em destinos como Paraguai e países da Europa usando Pix ou cartão brasileiro, inclusive com parcelamento em reais. Carlos Eduardo de Andrade Junior, diretor executivo de Câmbio do BS2, explica que a tecnologia de APIs integrou câmbio, autorização e liquidação em tempo real, simplificando uma operação que antes era complexa.
Para o Voucher Pay operar, é necessário que o lojista estrangeiro adote a tecnologia no ponto de venda. Já para que estrangeiros paguem com Pix no Brasil, o produto Easy Pay do BS2 precisa ser oferecido pela instituição financeira do usuário. Empresas como Getnet, do Banco Santander, também passaram a disponibilizar Pix em maquininhas no exterior, por exemplo no Uruguai.
Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil
Limites e perspectivas
O alcance do Pix internacional ainda depende de acordos com bancos e comerciantes locais, o que limita a expansão em larga escala no curto prazo. Soluções já operam em países como Paraguai, França, Portugal, Espanha, Argentina e Uruguai, com planos de ampliar a atuação por outros mercados na América Latina e nos Estados Unidos, onde negociações estão em curso apesar da maior conservadorismo dos sistemas de pagamento locais.
Especialistas ressaltam que a iniciativa altera a experiência do usuário ao permitir operações na moeda de cada parte, mas não elimina o papel do dólar nas transações globais. “Não eliminamos o dólar. O que fizemos foi permitir que cada parte opere na sua própria moeda, reduzindo a complexidade para o cliente”, afirma Andrade.
O avanço do Pix para uso internacional representa um movimento rumo à criação de plataformas globais de pagamentos interoperáveis, com potencial para reduzir atritos para consumidores e abrir nova frente de competição entre infraestruturas de pagamento.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6