A Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, protocolou junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) um pedido para ser incluída como terceira interessada no processo que avalia o aporte de cerca de US$ 100 milhões da American Airlines na Azul. No documento encaminhado ao tribunal, a Abra também requereu ser ouvida sobre a operação.
O investimento da American está previsto por meio da aquisição de participação via bônus de subscrição (warrants), operação sujeita à aprovação do Cade. Em paralelo à compra, as companhias firmaram um Acordo de Aliança que prevê, entre outros pontos, acordos de codeshare, integração de programas de passageiro frequente e acesso a salas VIP.
A Abra criticou duramente a transação, argumentando que a entrada da American na Azul lhe conferiria poderes próximos aos de um acionista controlador, especialmente em razão da existência do Comitê Estratégico da Azul. Esse comitê, instituído durante o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos e concluído em fevereiro de 2026, é composto por cinco membros, com duas vagas indicadas pelas americanas American e United.
De acordo com o estatuto social da Azul, o Comitê Estratégico tem competência exclusiva para aprovar o orçamento anual, o plano de negócios, decisões sobre contratação de dívidas, aquisição de aeronaves e também para indicar candidatos a todos os órgãos de gestão da companhia, inclusive ao conselho de administração. Para a Abra, isso significa que American e United passariam a deliberar sobre a estratégia comercial da Azul nos próximos anos.
A holding afirma ainda que a operação deve ser examinada em conjunto com o aporte já realizado pela United Airlines na Azul — investimento previamente aprovado pelo Tribunal do Cade, embora com ressalvas — e estima que, combinadas, American e United podem chegar a deter até 19% da Azul, tornando-se os maiores acionistas individuais de uma companhia sem controlador definido.
A Abra também questiona a necessidade do aporte americano para a sobrevivência financeira da Azul. A companhia brasileira divulgou resultados robustos em 2025, com receita de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre, EBITDA de R$ 2,1 bilhões e EBIT de R$ 1,4 bilhão, antes de encerrar o Chapter 11 e antes do aporte da American Airlines.
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Além de solicitar que o Cade reconheça formalmente sua condição de terceira interessada, a Abra pediu que o órgão exija das requerentes informações detalhadas sobre o Acordo de Aliança, incluindo se o contrato já está em vigor e se contém cláusulas de exclusividade. A holding requereu ainda prazo de 15 dias para apresentar estudos técnicos e a realização de consulta ampla a concorrentes, clientes e fornecedores.
Em termos de mercado, dados da Anac citados pela Abra indicam que, entre 2016 e 2025, American, Azul e United responderam, em conjunto, por mais de 50% do tráfego regular de passageiros no corredor Brasil–Estados Unidos. As demais operações no trecho ficam a cargo, principalmente, de Delta e LATAM, que atuam em parceria profunda.
Até o momento, o Cade não se manifestou sobre o pedido da Abra. A informação sobre a iniciativa da holding foi antecipada pelo Valor Econômico.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6