Na quinta-feira, 30 de abril de 2026, os contratos futuros das principais bolsas americanas e os fundos que espelham ações brasileiras abriram em leve alta, mesmo com a volatilidade nos preços de energia e as recentes decisões de política monetária.

Cenário

O pregão poderia ter começado em forte queda após os preços do petróleo Brent alcançarem US$ 126 por barril diante de rumores sobre uma possível ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, o que elevou o risco de retomada do conflito e afetaria o escoamento de combustíveis. Com a dissipação desses temores, o Brent recuou para US$ 116 por barril.

Os investidores, contudo, deram prioridade aos resultados trimestrais de empresas de tecnologia nos Estados Unidos divulgados na quarta-feira, que indicaram continuidade nos investimentos em Inteligência Artificial, em vez de se concentrarem apenas na alta do petróleo ou nas incertezas sobre a trajetória dos juros americanos.

O que aconteceu com os juros

Na quarta-feira (29) encerraram-se as reuniões de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Open Market Committee (Fomc). O Fomc decidiu manter a taxa básica nos EUA na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, resultado alinhado à expectativa do mercado. A ferramenta FedWatch da Bolsa de Chicago apontava 100% de probabilidade de manutenção.

Foi a terceira pausa consecutiva do Fed em 2026, medida tomada enquanto o banco central avalia os efeitos econômicos do conflito no Irã, que pressionou os preços de energia e levou a inflação a seu nível mais alto em quase dois anos.

No Brasil, o Copom confirmou o esperado e reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, em linha com a probabilidade de 88,5% refletida nas opções de Copom negociadas na B3. Os membros do Comitê optaram por não oferecer um “forward guidance” claro sobre movimentos futuros, citando a incerteza global para não antecipar a trajetória da inflação e dos juros.

Perspectivas

Apesar do reconhecimento das autoridades monetárias sobre as incertezas, os resultados corporativos positivos sustentaram o otimismo dos investidores nesta manhã. No Brasil, a alta parcial pode representar uma recuperação após a queda de cerca de 2% do Ibovespa na quarta-feira, que ocorreu após uma leitura mais negativa do comunicado do Fed.

Indicadores

BRASIL

Dívida Bruta/PIB (Mar)
Esperado: 79,6%
Anterior: 79,2%

Dívida Líquida/PIB (Mar)
Esperado: ND
Anterior: 65,5%

Balanço Orçamentário (Mar)
Esperado: – R$ 148,0 bi
Anterior: – R$ 100,589 bi

Imagem: REUTERS/Jonathan Ernst

ESTADOS UNIDOS

Produto Interno Bruto (1º tri)
Esperado: 2,2%
Anterior: 0,5%

Pedidos iniciais de seguro-desemprego
Esperado: 213 mil
Anterior: 214 mil

Índice de preços PCE (Mar)
Esperado: 0,7%
Anterior: 0,4%

Índice de preços PCE (12m)
Esperado: 3,5%
Anterior: 2,8%

Núcleo do índice de preços PCE (Mar)
Esperado: 0,3%
Anterior: 0,4%

Núcleo do índice de preços PCE (12m)
Esperado: 3,2%
Anterior: 3,0%

O mercado segue atento aos desdobramentos geopolíticos que influenciam os preços do petróleo e às próximas divulgações econômicas, que devem orientar novas leituras sobre a inflação e o comportamento das taxas de juros.

Com informações de Forbes