O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou insatisfação com o avanço das negociações com o Irã, ao mesmo tempo em que evitou anunciar o fim do frágil cessar-fogo ou autorizar novos ataques aéreos. As declarações foram feitas em entrevista a jornalistas na Casa Branca na sexta-feira.

Segundo Trump, houve contato recente com Teerã, mas ele não considera o resultado satisfatório. O presidente afirmou também que, por razões humanitárias, prefere não retomar as hostilidades abertas no confronto que começou após ataques dos EUA e de Israel ao Irã no fim de fevereiro. O conflito já deixou milhares de mortos no Oriente Médio, com a maior parte das vítimas concentrada no Irã e no Líbano, e provocou alta nos preços de energia ao afetar o tráfego no Estreito de Ormuz.

Em fala posterior na Flórida, Trump adotou tom mais duro ao afirmar que pode ser preferível não fechar nenhum acordo, sem, porém, detalhar opções concretas. Ele ressaltou que a situação não pode se manter como está, afirmando que já dura tempo demais.

Posição do Irã e tensão sobre o Estreito de Ormuz

Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, informou que Teerã está disposto a prosseguir com esforços diplomáticos, desde que os Estados Unidos alterem sua postura e deixem de impor exigências consideradas excessivas, de usar linguagem de ameaça ou de promover ações provocativas. Araghchi acrescentou que as forças armadas iranianas permanecem em alerta total.

No centro da disputa está o Estreito de Ormuz, rota pela qual circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta. O Irã condiciona a reabertura segura da passagem ao fim do bloqueio naval imposto pelos EUA aos seus portos. A Casa Branca, por sua vez, defende que o bloqueio tem sido útil para asfixiar a economia iraniana e interromper exportações de petróleo, na expectativa de forçar concessões do governo de Teerã.

Trump repetiu que os preços da energia devem recuar rapidamente após o término da guerra e atribuiu a paralisação das conversas a disputas internas na liderança iraniana. Especialistas em política do Oriente Médio, contudo, discordam dessa leitura. Analistas do Eurasia Group, Cliff Kupchan e Gregory Brew, afirmaram em nota que a lentidão nas negociações se deve ao cálculo da liderança iraniana em acumular maior poder de barganha para obter uma proposta mais vantajosa dos Estados Unidos.

As partes mantêm diálogo limitado, mas sem acordo definitivo até o momento.

Com informações de Investnews