O Detonautas acabou gravando um disco de canções inéditas em tempo recorde depois de uma negociação improvável com a gravadora Deck. A banda, que havia planejado apenas um projeto de regravações para manter a trajetória em teatros e casas de show após uma turnê acústica pelo Brasil, apresentou a faixa “Potinho de Veneno” ao produtor Rafael Ramos em março de 2025. A reação foi imediata: a gravadora exigiu mais material original e pediu que o grupo entregasse outras 10 faixas.
Com esse desafio, o Detonautas compôs, gravou e finalizou o álbum Radio Love Nacional em seis meses, entregando o trabalho em setembro de 2025 para lançamento oficialmente marcado em 2026. O processo ocorreu sem planejamento prévio e, segundo o vocalista Tico Santa Cruz, foi conduzido de maneira bastante intuitiva.
Frequência e orixás
A espiritualidade foi elemento central nas sessões de criação. Tico aponta que a afinidade com religiões de matriz africana, compartilhada com os produtores Pablo Bispo e Ruxell, influenciou o resultado final. Faixas como “Antimonotonia” e “Capa Preta” trazem referências a orixás e a entidades espirituais, uma presença que, mesmo para ouvintes sem essa leitura, aparece como uma frequência energética no disco.
Laboratório Detonante
Parte do fluxo de trabalho foi herdado da prática adotada durante a pandemia: troca de ideias e demos pelo WhatsApp. A banda criou o grupo chamado “Laboratório Detonante” para compartilhar melodias, letras e esboços de forma híbrida — entre encontros presenciais e trocas remotas. Essa dinâmica facilitou a produção intensa e acelerada do álbum.
Os produtores Pablo Bispo e Ruxell, já conhecidos por hits de artistas como Pabllo Vittar e Anitta, eram também fãs históricos do Detonautas, o que, segundo Tico, ajudou a traduzir ideias que a banda não conseguia materializar sozinha e a explorar nuances de arranjo e letra.
Sair da zona de conforto
Radio Love Nacional mescla rock, reggae, pop, música eletrônica e batidas que conversam com o tecnobrega e o funk. Ao delegar maior controle criativo aos produtores, a banda se permitiu experimentar sonoridades novas, resultado que provocou reações mistas em parte do público tradicional do rock. A faixa “Vampira”, por exemplo, incorpora uma quebra melódica com influência do funk que gerou polêmica entre fãs mais ortodoxos do gênero.
Imagem: Jorge Daux
“Vampira” também traz narração de Milton Cunha, escolhido após a equipe considerar outras vozes como a de Zé Ramalho. A presença de Milton foi obtida por contato via Instagram, e a colaboração foi definida como acertada pela banda.
Nome e nova fase
O título do disco foi decidido tardiamente entre as opções “Antimonotonia” e “Radio Love Nacional”. A escolha recaiu sobre a segunda, por sintetizar a ideia de diversidade sonora — “rádio” como estação de frequências — e um abrasileiramento intencional do termo “love”.
Para o Detonautas, o álbum representa o início de uma nova etapa: um repertório que amplia referências além do rock dos anos 1980 e 1990, incorporando um leque maior da música brasileira. O projeto nasceu de uma proposta de versões, transformou-se em um disco de inéditas em tempo recorde e abriu caminhos que a banda pretende explorar adiante.
Com informações de Rollingstone

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6