Dois satélites russos registraram uma aproximação incomum em órbita baixa no fim de abril de 2026, segundo empresas que monitoram tráfego espacial. Os veículos COSMOS 2581 e COSMOS 2583 chegaram a ficar separados por apenas 3 metros no dia 28 de abril, de acordo com a COMSPOC, organização de monitoramento espacial sediada na Pensilvânia. Os dados utilizados para identificar o encontro vieram da LeoLabs, empresa californiana que acompanha objetos em órbita por meio de radares.

A análise da COMSPOC indica que a manobra não foi casual. O COSMOS 2583 executou diversas correções de órbita para manter a proximidade com o 2581, caracterizando controle orbital de alta precisão. Além desses dois veículos, participaram do evento o satélite COSMOS 2582 e um subsatélite liberado pelo conjunto — referido como “Objeto F”. Esses elementos permaneceram mais distantes: o COSMOS 2582 operou a até cerca de 100 km do grupo e o Objeto F manteve distâncias de aproximadamente 15 km, sem executar manobras comparáveis às do 2583.

Os três satélites e o subsatélite foram lançados juntos em fevereiro de 2025 a bordo de um foguete Soyuz. Desde o lançamento, a COMSPOC vem acompanhando as operações de encontro e proximidade (RPO, na sigla em inglês) dos aparelhos. Em postagem de 1º de maio, a empresa relatou que os dados de radar da LeoLabs, processados por sua suíte de consciência situacional espacial (SSA), mostraram um evento complexo envolvendo múltiplos objetos em LEO (órbita terrestre baixa).

Contexto histórico

Não é a primeira vez que a Rússia demonstra capacidade desse tipo. Em 2020, o COSMOS 2542 aproximou-se de um satélite espião norte-americano, um episódio que ajudou a identificar essa categoria de veículos como “satélites inspetores” — plataformas projetadas para se aproximar e observar outros ativos em órbita. Estados Unidos e China também já realizaram aproximações controladas de satélites alheios, segundo registros de rastreamento de espaço.

Imagem: Roscosmos

A COMSPOC evita atribuir um propósito específico às manobras recentes, apontando apenas que o controle fino em órbita baixa representa um avanço tecnológico. Enquanto isso, os COSMOS 2581, 2582, 2583 e o Objeto F seguem sob vigilância constante de agências e empresas de rastreamento espacial ao redor do mundo.

Com informações de Olhardigital