O senador Ciro Nogueira (PP-PI) se manifestou nesta sexta-feira (8) em reação à quinta fase da Operação Compliance Zero, na qual foi alvo de buscas da Polícia Federal (PF). Em publicação nas redes sociais, o presidente nacional do Progressistas classificou a ação como uma “tentativa de manchar a minha honra pessoal”.

Quem e o que

Ciro Nogueira confirmou que foi alvo da fase mais recente da operação que investiga supostas fraudes ligadas ao Banco Master. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, a investigação aponta que o senador teria agido em benefício do dono do banco, Daniel Vorcaro, em troca de “vantagens econômicas indevidas”, conforme apontamentos da PF.

Quando e onde

A ação ocorreu na quinta fase da operação, autorizada por Mendonça, e a declaração pública de Ciro veio na sexta (8). O senador recordou ainda que, em 2018, sofreu buscas e apreensões em dois endereços em Teresina durante a Operação Lava Jato, após acordos de colaboração premiada com executivos da Odebrecht.

Como e por quê

Em sua nota, Ciro afirmou que episódios semelhantes ocorreram em anos eleitorais e que, apesar da pressão, manteve a atuação política. Ele relatou que em 2018 a reação popular no Piauí foi contrária à investigação — segundo o senador, isso o fez crescer seis pontos nas pesquisas e resultar em vitória no pleito. Ciro também lembrou que, em dezembro de 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou denúncia contra ele após o ministro Dias Toffoli anular provas obtidas por meio dos acordos de leniência da Odebrecht.

Contexto do caso Master

O Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimentos S/A, do Banco Letsbank S/A e da Master S/A Corretora, após identificar indícios de irregularidades e grave crise de liquidez. Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do grupo, também teve o encerramento forçado.

As investigações apontam que o banco oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDB) com remuneração muito acima do mercado e, para sustentar isso, adotou operações que inflaram artificialmente seu balanço enquanto a liquidez se deteriorava. O processo de liquidação e a apuração foram acompanhados pela Operação Compliance Zero. Em meio às apurações, Vorcaro foi preso antes da fase inicial, liberado com tornozeleira eletrônica e detido novamente em 4 de março.

Imagem: Divulgação

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) iniciou, em 17 de janeiro, o pagamento aos credores do conglomerado — o montante total de garantias a ser pago soma R$ 40,6 bilhões. Episódios relacionados ao Banco Master e à gestora Reag, liquidada em 15 de janeiro, estão entre os mais graves do sistema financeiro brasileiro e envolveram tensões entre o STF, o Tribunal de Contas da União, o Banco Central e a PF.

Na nota divulgada, Ciro reafirmou que suportar pressões desse tipo o motiva a buscar mais recursos para o Piauí e agradeceu manifestações de apoio recebidas por ele e por sua família.

Com informações de Jovempan