TRANSMISSÃO: Record

A Riachuelo começou 2026 adotando uma estratégia centrada na produção local e na valorização da moda brasileira para enfrentar desafios do setor: endividamento do consumidor, estações irregulares e concorrência crescente. A mudança tem trazido resultados: no primeiro trimestre de 2026 a empresa registrou lucro de R$ 5 milhões, o primeiro resultado positivo em um primeiro trimestre em seis anos — em 2025, o período terminou com prejuízo de R$ 50 milhões.

Segundo a companhia, o crescimento é contínuo: são 11 trimestres seguidos de alta, com um avanço de 10% em cima de uma base que já havia crescido 13%. Nas lojas com mais de um ano em operação (same-store sales), as vendas de vestuário subiram 10,1% no trimestre, e a margem bruta da categoria alcançou quase 55%, acumulando expansão de 5,2 pontos percentuais nos últimos três anos. O Ebitda do segmento de varejo de moda foi de R$ 135 milhões, alta de 24% na comparação anual e o melhor primeiro trimestre da história da empresa.

O setor como um todo também teve desempenho positivo no início do ano. A Lojas Renner obteve lucro líquido de R$ 257 milhões — recorde para um primeiro trimestre — com SSS de vestuário de 3,7%, margem bruta da categoria de 58% e Ebitda de varejo de R$ 488 milhões, avanço de 23,5%. A C&A registrou SSS de vestuário de 4,8%, receita líquida da categoria em alta de 6,2%, margem bruta 0,9 ponto porcentual maior e lucro líquido ajustado de R$ 12,6 milhões.

Adaptação às estações e resposta rápida

A variação climática tem impacto direto nas vendas: o inverno de 2025 chegou antecipado e elevou a demanda entre março e maio, mas criou falta de produto depois. Em 2026, abril mais quente que o esperado segurou a venda de peças de inverno diante de uma base forte; há expectativa de queda de temperatura no Sudeste e Sul nos primeiros dias de maio. Para mitigar o risco de excesso de estoque ou perda de vendas, a Riachuelo reduziu compras antecipadas e passou a reagir à demanda com produção própria por meio do projeto Fast Response, trazendo parte do fornecimento que vinha do exterior para fábricas no Brasil.

Fábrica própria e eficiência

A unidade fabril no Rio Grande do Norte tornou-se peça-chave na expansão de margem da companhia. O programa Make or Buy passou a definir com mais critério o que produzir internamente, importar ou terceirizar, e a combinação de maior utilização da fábrica, menos ociosidade e menos remarcações contribuiu com a maior parte dos 1,2 ponto percentual de expansão da margem bruta no trimestre, segundo a empresa. A automação do centro de distribuição de Guarulhos, responsável por mais de 95% do abastecimento das lojas, deve começar a gerar efeitos visíveis a partir de 2028, com ganhos em despesas operacionais e maior assertividade no reabastecimento.

Colaborações, novos formatos e serviços financeiros

Para se posicionar como uma marca de moda, a Riachuelo lançou parcerias com nomes da moda brasileira — Helô Rocha, Gallerist e Silvia Braz, cuja coleção de Dia das Mães esgotou rapidamente —, criou a linha Ultraconf de moletons com apelo técnico e estética e inaugurou um novo formato de loja com curadoria mais visível. O primeiro modelo foi aberto em Pinheiros (SP) em dezembro de 2025, seguido por uma unidade no Shopping Barigui, em Curitiba, em abril de 2026.

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No braço financeiro, a Midway viu a carteira de crédito crescer 13% no trimestre, enquanto a provisão para devedores duvidosos avançou 8%, melhorando a relação entre as rubricas. O empréstimo pessoal teve a maior expansão, de 23%, com carteira próxima de R$ 1 bilhão. A empresa avalia que há espaço para capturar participação no mercado de serviços financeiros sem rivalizar diretamente com grandes bancos e testa o consignado desde o final de 2025.





Debate sobre tributação de importações

A pauta tributária voltou ao centro das discussões em 2026 com a aproximação do calendário eleitoral. O governo sinalizou intenção de reduzir tarifas sobre importações via cross border, o que preocupa empresas nacionais que denunciam “assimetria tributária”. Setores calculam que, entre 2017 e 2025, o tratamento preferencial a importadores representou perda fiscal acumulada de R$ 51,4 bilhões e afirmam que uma empresa brasileira pode pagar até 311% mais imposto que plataformas estrangeiras. A Riachuelo diz que a cadeia integrada com fábrica própria funciona como proteção diante de um cenário mais adverso; dos 11 trimestres de crescimento de dois dígitos em vestuário, a empresa afirma que 6,5 tiveram a taxa vigente e 4,5 não.

O conjunto de medidas — produção nacional, respostas rápidas às mudanças de demanda, parcerias de moda e expansão dos serviços financeiros — tem sido a estratégia da Riachuelo para sustentar crescimento em um ambiente de consumo apertado e maior concorrência.

Com informações de Investnews