TRANSMISSÃO: Globo | Band
O AC/DC foi uma das atrações principais do primeiro Rock in Rio, realizado em janeiro de 1985, quando a banda australiana encerrou duas noites do festival diante de multidões estimadas em cerca de 250 mil e 280 mil pessoas. Os shows aconteceram em 15 e 19 de janeiro, e a presença do grupo contribuiu para reposicionar o Brasil como destino de grandes espetáculos internacionais.
O quinteto com Brian Johnson (voz), Cliff Williams (baixo), Simon Wright (bateria) e os irmãos Angus e Malcolm Young subiu ao palco como headliner. Na noite de 15 de janeiro, o AC/DC fechou a programação após apresentações de Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Eduardo Dusek, Barão Vermelho e Scorpions. Quatro dias depois, na chamada “noite do metal”, a banda tocou depois de Baby Consuelo + Pepeu Gomes, Whitesnake, Ozzy Osbourne e novamente Scorpions.
As entradas começaram a ser vendidas em outubro de 1984, com preços entre 18 mil e 20 mil cruzeiros, subindo para 28 mil às vésperas do festival — valores que, segundo a reportagem, equivaleriam hoje aproximadamente a R$ 100 a R$ 150, considerando a inflação acumulada. Na época, o salário mínimo era de cerca de 166 mil cruzeiros. Os ingressos eram impressos e comercializados em agências do Banco do Brasil.
Embora os shows no Rio não integrassem uma turnê oficial — a divulgação de Flick of the Switch (1983) já havia acabado e a banda interrompeu provisoriamente as gravações de Fly on the Wall (1985) para cumprir a agenda carioca — o repertório privilegiou clássicos. “Back in Black”, “Hells Bells”, “The Jack”, “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”, “Highway to Hell” e “Whole Lotta Rosie” estiveram entre as faixas executadas. Do álbum Flick of the Switch, apenas “Guns for Hire” foi tocada. A canção “Jailbreak” voltou ao set após ausência desde 1977, motivada pelo relançamento do EP ’74 Jailbreak em outubro de 1984; entretanto, na segunda noite “Jailbreak” foi excluída para reduzir o tempo do show.
Sino, sunga e desconforto
Uma passagem de bastidores ganhou notoriedade: em contrato, a produção do AC/DC exigiu a presença de um sino cenográfico que desceria durante “Hells Bells”, além de dois canhões e dezessete baterias de fogos nas laterais do palco. O sino original, transportado de navio, pesava cerca de duas toneladas — suas badaladas, porém, eram reproduzidas eletronicamente. Problemas aduaneiros e a constatação de que a estrutura do palco não suportaria o peso impediram o uso da peça verdadeira.
Sem avisar o restante da produção, o cenógrafo Mário Monteiro, com equipe ligada à TV Globo, confeccionou uma réplica de isopor e gesso. O sino original foi mantido guardado e as duas apresentações ocorreram sem que o público ou a banda suspeitassem. Só após o segundo show Monteiro revelou o estratagema; a produção do AC/DC, ciente do ocorrido, pediu para levar o sino falso como lembrança.
Relatos reunidos no livro Rock in Rio: A história (Globo Livros, 2022), de Luiz Felipe Carneiro, afirmam que Angus Young não gostou da primeira visita ao Brasil. Segundo o autor, o guitarrista ficou “extremamente irritado com o movimento dos fãs” e sofreu choque cultural diante da pobreza e do alto índice de mendicância, chegando a se recolher no hotel. Em entrevistas coletivas em Ipanema houve também comentários sobre a recepção local: Brian Johnson disse que os jovens brasileiros haviam descoberto o rock “uns 30 anos atrasados” e fez uma observação sobre o uso de calças de lycra. O mesmo sentimento de desconforto foi registrado por Ozzy Osbourne em declaração a Mick Wall sobre o Rio.
Imagem: Getty
Em meio ao desconforto, houve momentos leves: os integrantes do AC/DC posaram em trajes de banho com a orla carioca ao fundo durante coletiva em Ipanema, imagem que permanece entre as mais lembradas da passagem pelo Brasil.
Setlist Rock in Rio 1º show
1. “Guns for Hire”
2. “Shoot to Thrill”
3. “Sin City”
4. “Shot Down in Flames”
5. “Back in Black”
6. “Have a Drink on Me”
7. “Bad Boy Boogie”
8. “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”
9. “Hells Bells”
10. “The Jack”
11. “Jailbreak”
12. “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”
13. “Highway to Hell”
14. “Whole Lotta Rosie”
15. “Let There Be Rock”
Bis:
16. “T.N.T.”
17. “For Those About to Rock (We Salute You)”
Setlist Rock in Rio 2º show
1. “Guns for Hire”
2. “Shoot to Thrill”
3. “Sin City”
4. “Back in Black”
5. “Have a Drink on Me”
6. “Bad Boy Boogie”
7. “Rock and Roll Ain’t Noise Pollution”
8. “Hells Bells”
9. “Dirty Deeds Done Dirt Cheap”
10. “Highway to Hell”
11. “Whole Lotta Rosie”
12. “Let There Be Rock”
Bis:
13. “T.N.T.”
14. “For Those About to Rock (We Salute You)”
Com informações de Rollingstone

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6