Grupos de defesa do consumidor, privacidade e direito ao reparo apontaram quais foram os lançamentos mais criticados durante a CES 2026, realizada em Las Vegas no início de janeiro. A lista integra o “Pior da Feira”, prêmio informal organizado por entidades como Consumer Reports, Back Market e iFixit, sem qualquer vinculação com a Consumer Technology Association (CTA), responsável pelo evento.

O objetivo da premiação é destacar produtos considerados caros, de difícil manutenção, pouco sustentáveis ou que geram riscos à privacidade e à segurança digital dos usuários. Segundo os organizadores, a seleção deste ano reúne “os desastres tecnológicos mais complexos, irreparáveis e insustentáveis” apresentados na feira.

Geladeira inteligente da Samsung lidera ranking negativo

No topo da lista de piores produtos da CES 2026 está a Bespoke AI Family Hub, geladeira conectada da Samsung que abre e fecha portas por comando de voz e traz câmeras internas para monitoramento dos alimentos. Para Gordon-Byrne, diretor-executivo da Right to Repair, a tecnologia extrapola a função essencial de refrigerar itens, tornando um eletrodoméstico simples em um dispositivo complexo e sujeito a falhas.

Os jurados criticaram a dependência de conexão constante, o uso de anúncios integrados e sensores que podem encarecer consertos e reduzir a durabilidade do equipamento. Durante as demonstrações, o sistema apresentou dificuldades em ambientes barulhentos, como cozinhas comerciais e residenciais. Elizabeth Chamberlain, diretora de sustentabilidade da iFixit, classificou as câmeras embutidas como um recurso invasivo e desnecessário. “Você não quer um dispositivo que fique filmando tudo o que acontece na sua cozinha o tempo todo”, afirmou.

Campainha com IA e pirulito eletrônico também são alvos

Outro produto apontado foi a campainha Ring, da Amazon, criticada por incorporar reconhecimento facial e integrar dados em aplicativos de terceiros. Chamberlain alerta que a expansão desses sistemas de vigilância doméstica atinge até quem não possui o equipamento, ampliando o monitoramento em ambientes públicos e privados.

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Além disso, o Lollipop Star, um “pirulito eletrônico” que reproduz música via condução óssea, recebeu menção honrosa pelo impacto ambiental negativo. Equipado com baterias descartáveis de curta duração e componentes plásticos e eletrônicos de uso único, o dispositivo é visto como um exemplo de tecnologia que aumenta o volume de lixo eletrônico sem oferecer benefícios proporcionais.

Essas escolhas reforçam o debate sobre o equilíbrio entre inovação, sustentabilidade e privacidade no universo da tecnologia de consumo.

Com informações de Olhardigital