O Ceará registrou aceleração nas exportações de aço para os Estados Unidos em 2025, mesmo após o aumento de barreiras comerciais pelo governo de Donald Trump. Dados do Banco Central mostram que o valor exportado do setor no Estado subiu 59,4%, enquanto as vendas brasileiras para os EUA recuaram 6,7% no mesmo período.

O avanço cearense foi sustentado sobretudo pelo crescimento do volume embarcado, que cresceu 81,9% ao longo do ano, compensando uma redução de 13,3% nos preços médios do aço exportado. A usina da ArcelorMittal no Pecém foi apontada como principal responsável pelo aumento do fluxo comercial, elevando o montante financeiro das exportações do setor de US$ 0,7 bilhão em 2024 para US$ 1,1 bilhão em 2025.

Entre agosto e novembro de 2025, período considerado o mais crítico do choque tarifário norte-americano, o Ceará registrou salto de 218% no volume exportado para os Estados Unidos. Segundo o levantamento do Banco Central, o desempenho do Estado foi determinante para que o Nordeste fosse a única região brasileira a apresentar crescimento nas exportações para o mercado americano durante o ápice das medidas protecionistas.

O incremento nas vendas externas do setor siderúrgico também teve impacto econômico relevante localmente: o aumento das exportações adicionou o equivalente a 0,84% do Produto Interno Bruto do Ceará, de acordo com os dados oficiais.

Diversificação de mercados

O crescimento das exportações cearenses não se restringiu aos EUA. No total, o Ceará elevou suas vendas externas de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,3 bilhões entre 2024 e 2025. Antes do choque tarifário, os Estados Unidos representavam 44,9% das exportações do Estado.

Imagem: divulgação

No plano nacional, as exportações brasileiras para os EUA caíram de US$ 40,4 bilhões para US$ 37,7 bilhões em 2025, com as regiões Sudeste e Sul sendo as mais afetadas pelas perdas no comércio com os norte-americanos. O estudo do Banco Central indica que a tarifa média efetiva aplicada pelos EUA sobre produtos brasileiros saltou de 1,3% em 2024 para 9,1% em 2025, atingindo pico de 22,4% em outubro, no auge das medidas adotadas pelo governo Trump.

Apesar do aumento das tarifas, o Brasil conseguiu ampliar suas vendas para outros mercados, com crescimento de 4,7% nas exportações para países fora dos Estados Unidos, sinalizando movimento de diversificação diante das mudanças no comércio internacional.

Com informações de Portalin