A SpaceX, criada em 2002 em Hawthorne (Califórnia) pelo empreendedor Elon Musk, tornou-se uma referência na indústria espacial ao reduzir custos de lançamento e competir com agências governamentais. Com sede oficial transferida para o Texas (Starbase), a companhia foi a primeira privada a colocar uma nave em órbita e a enviar astronautas à Estação Espacial Internacional (ISS).

Transmissão: Space | YouTube

Escalações:

– 11 – Outubro de 2025: O décimo primeiro voo marcou o encerramento da fase “V2” da Starship. A missão foi considerada um grande sucesso: o Super Heavy realizou um pouso controlado no Golfo do México, enquanto a nave completou testes de reentrada, reacendimento de motor no espaço e implantação de simuladores de satélites Starlink antes de pousar no Oceano Índico. Durante a manobra de retorno, um dos motores do propulsor apresentou falha momentânea, sem comprometer a missão.

Origem e primeiros passos

Antes da SpaceX, Musk já havia criado a X.com, empresa de serviços financeiros que evoluiu para o PayPal. Com a venda do PayPal ao eBay em 2002, Musk destinou parte do capital para três projetos: energia solar (SolarCity/Tesla Energy), veículos elétricos (Tesla) e exploração espacial (SpaceX). A estratégia da nova empresa incluiu desenvolver motores próprios — o Merlin — e buscar a reutilização de estágios como forma de reduzir custos.

Falcon 1 e o primeiro sucesso

O Falcon 1, foguete leve de dois estágios da SpaceX, enfrentou várias falhas nos primeiros lançamentos, incluindo o voo inaugural em 24 de março de 2006, quando um vazamento de combustível causou incêndio cerca de 30 segundos após a decolagem. Após sucessivos reveses, a empresa obteve sucesso em 28 de setembro de 2008, tornando-se a primeira empresa privada a colocar um foguete desenvolvido internamente em órbita. Nesse período, a SpaceX também venceu uma licitação da NASA no programa COTS e, em dezembro de 2008, firmou contrato CRS para reabastecimento da ISS, avaliado em mais de US$1 bilhão.

Falcon 9, Dragon e a consolidação

O lançamento do Falcon 9, em 2010, representou avanço técnico e operacional: maior capacidade — mais de 22 toneladas para órbita baixa — e projeto voltado à reutilização do primeiro estágio. A cápsula Dragon demonstrou a capacidade de uma empresa privada realizar um voo orbital recuperável e, em maio de 2012, tornou-se a primeira nave comercial a acoplar-se à ISS. Em 2020, a variante tripulada Crew Dragon transportou astronautas da NASA à estação, encerrando a dependência dos EUA de voos russos para acesso à órbita.

Reutilização e escala operacional

A recuperação e o pouso vertical de estágios mudaram o modelo de negócios dos lançamentos. Em dezembro de 2015, um primeiro estágio do Falcon 9 pousou com sucesso em Cabo Canaveral; em 30 de março de 2017, a SpaceX reutilizou um estágio em voo comercial (SES-10). Desde então, a empresa passou a operar com alta frequência de lançamentos e a reutilizar tanto propulsores quanto cápsulas Dragon.

Falcon Heavy e Starlink

Em fevereiro de 2018, o Falcon Heavy estreou com capacidade aproximada de 63 toneladas para órbita baixa, combinando três núcleos do Falcon 9. A missão inaugural transportou um Tesla Roadster como carga não convencional. Paralelamente, a SpaceX iniciou em 2019 a constelação Starlink para oferecer internet global; a rede já superou 10 mil satélites e tem autorização para expansão até 42 mil unidades, atendendo milhões de usuários em cerca de 100 países.

Imagem: Elon Musk com Starship – Imagem gerada por IA

Voos tripulados e operações comerciais

A SpaceX ampliou sua atuação no transporte humano e em voos privados. A missão Demo-2, em 30 de maio de 2020, levou os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley à ISS. Desde então, a cápsula Crew Dragon completou 19 voos tripulados, transportando 72 pessoas. A empresa também realizou 57 missões de carga com a família Dragon no âmbito do contrato CRS da NASA. No segmento privado, destacam-se missões como Inspiration4, a série Axiom (Ax-1 a Ax-4), Polaris Dawn e a Fram2, primeira missão tripulada a orbitar os polos da Terra.

Starship: megafoguete em desenvolvimento

O sistema Starship, composto pelo propulsor Super Heavy e pela nave Starship, é projetado para recuperação total e alta capacidade: atualmente tem 121 metros de altura, com versões futuras previstas para superar 140 metros. O conjunto emprega motores Raptor alimentados por metano e oxigênio líquidos (methalox) — 33 no Super Heavy e seis na nave — e tem meta operacional de colocar mais de 100 toneladas em órbita e transportar até 100 pessoas. A SpaceX já realizou 11 voos de teste integrados com o sistema completo, com progressos e reveses ao longo da série de lançamentos.

Starship e o programa Artemis

A NASA selecionou uma variante do Starship como Human Landing System (HLS) para apoiar o retorno de humanos à Lua, com objetivo de pouso no polo sul lunar na missão Artemis 4. Antes disso, testes de acoplamento em órbita devem validar a transferência de tripulação entre a Orion e módulos de pouso, etapa considerada crítica para o cronograma lunar.

Metas interplanetárias e estrutura financeira

Para Elon Musk, a exploração lunar é etapa rumo à colonização de Marte, meta que exige avanços em reabastecimento orbital, suporte vital e proteção contra radiação. Financeiramente, a SpaceX estuda uma oferta pública inicial (IPO) e intensificou integrações tecnológicas: a divisão SpaceXAI reúne a xAI, modelos Grok e a infraestrutura Colossus. Em abril de 2026, a empresa anunciou parceria estratégica com a startup de IA Cursor, com possibilidade de aquisição por até US$60 bilhões ou aporte de US$10 bilhões para projeto conjunto.

Ao longo de pouco mais de duas décadas, a SpaceX evoluiu de operadora de lançamentos para um ecossistema que combina foguetes reutilizáveis, uma megaconstelação de satélites e iniciativas em inteligência artificial, sustentando sua ambição de ampliar operações lunares e interplanetárias.

Com informações de Olhardigital