Pesquisadores da University of Amsterdam e da University of New South Wales apresentaram um sistema robótico que realiza diferentes formas de locomoção sem depender de um computador central, sensores complexos ou comandos eletrônicos externos. O trabalho, liderado por Jack Binysh, foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Resumo

A estrutura consiste em uma corrente formada por hastes motorizadas interligadas que reagem mecanicamente às forças aplicadas e alteram seu comportamento conforme a forma como são pressionadas ou apoiadas. De acordo com os autores, a mesma configuração é capaz de rastejar por superfícies planas, caminhar quando encontra pequenos apoios e até cavar em materiais soltos, tudo sem necessidade de reprogramação.

O princípio físico que permite esse comportamento é chamado de acoplamento não recíproco. Cada segmento motorizado responde de maneira distinta dependendo da direção da força exercida sobre ele, criando uma assimetria que faz o movimento se propagar ao longo da corrente. Em vez de gerar apenas uma deformação estática diante de compressões, o sistema entra em um estado de oscilações contínuas enquanto os motores permanecem ativos.

Os pesquisadores relatam que a cadeia de módulos sustenta um padrão estável de movimento mesmo quando submetida a impactos, variação de atrito ou mudanças de superfície: após perturbações, a corrente tende a retomar seu ritmo original rapidamente. Esse comportamento decorre de um fenômeno descrito pela equipe como “ponto excepcional crítico”, no qual diferentes modos de deformação se tornam instáveis ao mesmo tempo, permitindo que a estrutura alimente continuamente sua própria movimentação.

Sami Al-Izzi, da University of New South Wales, afirmou que o desempenho excedeu as expectativas iniciais da equipe, observando repetidas deformações e estalos em resposta a forças externas, em vez de um único evento. A coautora Yao Du, doutoranda na University of Amsterdam, acrescentou que a mesma configuração executou tarefas distintas — rastejar, caminhar e cavar — sem alterações de programação.

Imagem: Divulgação

Os autores defendem que a abordagem representa um avanço na área da robótica macia, por transformar a configuração física do sistema em um mecanismo de coordenação, reduzindo a dependência de chips, fios e controles centralizados. Entre as possíveis aplicações mencionadas estão operações de resgate, inspeções em tubulações industriais e intervenções em espaços confinados ou terrenos instáveis, onde falhas em controladores convencionais podem comprometer missões.

O estudo pode abrir caminho para robôs mais resilientes em ambientes hostis, capazes de manter funcionamento e adaptar deslocamento por meio de sua própria arquitetura mecânica.

Com informações de Olhardigital