Os ETFs de renda fixa vêm registrando entradas de recursos muito superiores às dos ETFs de ações. Segundo dados da Anbima, entre dezembro de 2025 e abril deste ano, os fundos listados que replicam índices de títulos públicos e privados captaram R$ 110 bilhões em aportes líquidos, diante de R$ 30 bilhões direcionados aos ETFs de renda variável.

Em abril, a diferença também foi expressiva: os ETFs de renda fixa apresentaram captação líquida de R$ 33 bilhões, ante R$ 10 bilhões nos ETFs de ações.

A atratividade desses produtos é atribuída, em grande parte, aos juros elevados da renda fixa, além de características próprias dos fundos de índice negociados em bolsa. Para pessoas físicas, os ETFs de renda fixa costumam cobrar taxas de administração baixas, entre 0,1% e 0,3% ao ano, e adotam regime de Imposto de Renda que, na maioria dos casos, resulta em alíquota de 15% sobre ganhos na venda das cotas, independentemente do tempo em que o capital permaneceu investido.

Outra vantagem em relação aos fundos tradicionais é a ausência do chamado “come-cotas”, a antecipação semestral do IR que incide sobre veículos como fundos DI. O “come-cotas” aplica alíquota de 20% para fundos de curto prazo e 15% para carteiras de longo prazo e reduz a eficiência dos juros compostos ao retirar parte do rendimento a cada seis meses.

Simulações comparativas mostram impacto relevante: com aplicações iniciais iguais de R$ 10 mil, mesma taxa de administração e retorno bruto equivalente a 100% do CDI, um ETF entrega 0,3 ponto percentual a mais no primeiro ano em relação a um fundo DI com IR de 15%. A vantagem sobe para 0,92 p.p. em dois anos, 2,8 p.p. em cinco anos e 6,2 p.p. em dez anos. Em termos de rendimento líquido, após 12 meses o ETF alcança 81,1% do CDI contra 80,8% do fundo DI; em cinco anos, 80,3% ante 77,5%; e em dez anos, 79,2% ante 73%, o que em valores representa R$ 14.570 frente a R$ 13.440.

Oferta e diversidade

A B3 lista, atualmente, 49 ETFs de renda fixa. A oferta cobre praticamente todas as estratégias da classe, incluindo pós-fixados atrelados à Selic, índices referenciados à inflação, prefixados e crédito privado.

Entre os exemplos estão o Nu CDI Tesouro Selic B3 (NCDI11), da Nu Asset, e o BTG Pactual TEVA Tesouro Selic (LLFT11). Há ETFs que replicam índices atrelados à inflação, como It Now ID ETF IMA-B (IMAB11) e Bradesco IMA-B 5 (B5MB11); exemplos de prefixados são It Now IRF-M P2 (IRFM11) e B-Index ETF IRF-M P2 (BPRE11). No segmento de crédito privado figuram o Nu Letras Financeiras Anbima e o BTG Pactual Teva Debêntures DI.

Imagem: ETFs de renda fixa ampliam captação no Brasil nos últimos meses

Comparações com CDB e Tesouro Direto

Os ETFs também apresentam diferenciais frente a instrumentos como CDBs e Tesouro Direto. O IR sobre a venda de cotas de ETF segue o prazo de rebalanceamento do índice, e muitos índices utilizados têm prazo médio superior a dois anos, o que garante a alíquota mínima de 15%. No Tesouro Direto, além de eventuais taxas de custódia cobradas pela B3 (0,20% sobre valores acima de R$ 10 mil), o investidor precisa lidar com vencimentos específicos e reinvestimento dos recursos.

ETFs oferecem gestão automatizada do portfólio e diversificação instantânea, reduzindo risco de concentração típico de CDBs e produtos securitizados. Ainda assim, produtos tradicionais mantêm vantagens: CDBs contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até R$ 250 mil por CPF por conglomerado, podem pagar 110% a 130% do CDI, e debêntures incentivadas, CRIs e CRAs têm isenção de IR.

O aumento da procura por ETFs de renda fixa tem sido interpretado como um avanço na percepção dos investidores sobre custos efetivos, transparência e eficiência estrutural dos investimentos.

Com informações de Investnews