Títulos isentos de empresas oferecem IPCA+8% a IPCA+13% no mercado secundário

Debêntures, CRI e CRA surgem com prêmios altos após ciclo de juros e maior aversão ao risco

Nos últimos meses, o mercado secundário passou a negociar papéis isentos de imposto com retornos raramente vistos: em um conjunto amplo de debêntures incentivadas, a remuneração média ronda IPCA+8,41% ao ano. Em outro recorte, com 30 títulos vinculados ao CDI e também isentos, a média alcança CDI+3% ao ano. Esses números colocam a renda fixa isenta no radar de quem acompanha rendimentos acima da média histórica.

A combinação de juros nominais elevados e uma economia mais lenta elevou o prêmio pedido pelos compradores. Com a Selic sustentada em níveis altos e um ambiente financeiro mais conservador, spreads aumentaram mesmo para ativos que contam com isenção fiscal — e isso se reflete em oportunidades e tensões no mercado.

Onde estão os maiores prêmios e o que explica a alta

Alguns exemplos mostram a força do movimento. CRAs ligados ao grupo resultante da fusão Marfrig–BRF aparecem no mercado com rendimentos em torno de IPCA+10,45% e IPCA+10,18% para vencimentos próximos a 2030/2031. Em papéis da Dasa, CRIs negociados com vencimentos entre 2029 e 2032 chegam a oferecer até IPCA+13,78% — patamar que, na comparação com ativos tributados, equivale a uma taxa efetiva muito superior.

Entre as debêntures, títulos de infraestrutura de fibra ótica de prazos longos também chamam atenção: um exemplo com vencimento em 2035 tem sido cotado perto de IPCA+10,6% ao ano. No grupo atrelado ao CDI, empresas como Cosan aparecem com papéis em CDI+2,5% a CDI+2,72% dependendo do prazo, enquanto ativos de saneamento da Aegea têm registros de CDI+3,85% a CDI+3,9% em diferentes séries.

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Ao contrário do que ocorria em períodos de menor aversão, agora o mercado seleciona com mais rigor emissores e estruturas. A sequência de pedidos de recuperação por companhias conhecidas — incluindo nomes como Raízen, GPA, Oncoclínicas, Kora Saúde e o grupo dono da Mobly e Tok&Stok — elevou a percepção de risco setorial e forçou prêmios maiores para compensar investidores.

O resultado é um mapa de rendimentos mais atraente em termos nominais para títulos isentos, mas também mais fragmentado: taxas elevadas convivem com maior escrutínio sobre crédito e liquidez. Para o mercado, a mudança redefine oportunidades e prioridades na busca por retorno real em um cenário de juros ainda pressionados.