Snowflake fecha contrato de US$ 6 bilhões com a AWS e reforça aposta em chips Graviton

Negócio de cinco anos — R$ 30,4 bilhões — amplia uso de CPUs ARM e GPUs em nuvem; ações da Snowflake saltam até 35%

Em um acordo que muda o patamar da relação entre cliente e provedor de nuvem, a Snowflake assinou com a Amazon Web Services um contrato de US$ 6 bilhões (R$ 30,4 bilhões) ao longo de cinco anos. O pacote combina a adoção ampliada dos processadores Graviton, desenvolvidos pela própria Amazon, com capacidade em GPUs na nuvem para cargas mais pesadas.

O anúncio, feito nesta quarta-feira (27), colocou a Snowflake entre os maiores compradores de CPUs da AWS. No pregão pós-mercado, as ações da companhia chegaram a subir até 35% após a divulgação de resultados trimestrais melhores que o esperado.

O que esse acordo significa agora

Financeiramente, o compromisso implica um gasto médio anual de cerca de US$ 1,2 bilhão. Historicamente, a relação entre as duas empresas vinha crescendo: no IPO a Snowflake já havia reportado um acordo revisado de US$ 1,2 bilhão para cinco anos, que subiu para US$ 2,5 bilhões em 2023.

Segundo a AWS, a Snowflake também vendeu US$ 7 bilhões em serviços via marketplace desde 2012, e clientes da Snowflake ampliaram gastos na nuvem da Amazon, chegando a dobrar para US$ 2 bilhões só em 2025. Parte dessa escalada é alimentada pela demanda por sistemas autônomos e aplicações que exigem grande coordenação e movimentação de dados — cenários que combinam CPUs para tarefas gerais e GPUs para cargas paralelas intensivas.

No plano técnico, o acordo reforça a presença da arquitetura ARM em data centers. Os chips Graviton, lançados pela Amazon em 2018, disputam espaço com as tradicionais plataformas x86, e atraíram grandes nomes do mercado. Além de reduzir custos, a estratégia permite à AWS oferecer opções de desempenho ajustadas a diferentes tipos de processamento.

Imagem: Divulgação

A corrida por capacidade também acirra a competição com fabricantes como a Nvidia. A Amazon tem promovido seus chips próprios como alternativa custo-efetiva a soluções consagradas; do outro lado, fornecedores de GPUs seguem ampliando investimentos e lançando novos produtos voltados a cargas avançadas. A disputa promete redesenhar custos e arquitetura das nuvens nos próximos anos.

Na esteira do anúncio, a Snowflake informou ainda a compra da startup Natoma — valor não divulgado — e revelou resultados do trimestre: lucro ajustado de US$ 0,39 por ação e receita de US$ 1,4 bilhão, alta de 33% na comparação anual. A empresa projetou receita de produtos entre US$ 1,41 bilhão e US$ 1,42 bilhão para o trimestre seguinte e margem operacional ajustada de 12,5% — números acima das estimativas do mercado.

O acordo com a AWS consolida a Snowflake como um cliente estratégico para a Amazon e evidencia como a demanda por processamento especializado está transformando contratos, investimentos e a arquitetura das nuvens onde hoje rodam as maiores aplicações empresariais.