Babydoll de Olivia Rodrigo gera controvérsia — e ela reage com crítica ao duplo padrão

O vestido usado em um show para o Spotify dividiu fãs; em entrevista, a cantora transformou a polêmica em uma declaração sobre sexualização e cultura

Uma peça de roupa virou o centro de um debate maior. No show especial para o Spotify, Olivia Rodrigo apareceu com um vestido no estilo babydoll que rapidamente polarizou comentários nas redes: enquanto parte do público celebrou a estética grunge, outra parte classificou o look como infantilizante e desconfortável para os palcos.

Sem se esquivar, a cantora de 23 anos falou com firmeza sobre a reação. Em entrevista ao podcast POPcast, vinculado ao The New York Times, ela rebateu as críticas e colocou o foco em algo que considera mais grave do que um debate de moda: a forma como o corpo feminino é lido e rotulado pela sociedade.

Segundo Olivia, causou estranheza ver um visual discreto provocar mais estranhamento que roupas abertamente provokativas que ela já usou. Para ela, isso revela um padrão cultural — e não apenas uma opinião sobre estilo.

Referências, indignação e um recado direto: do palco ao debate público

A artista explicou que a escolha estética vinha de uma referência clara: ícones do rock alternativo dos anos 1990. Ela citou nomes como Kathleen Hanna e Courtney Love como inspirações diretas — figuras ligadas a movimentos que misturam atitude, política e ruptura estética.

Além da defesa estética, Olivia transformou a discussão em crítica social. Ela apontou que existe uma lógica que responsabiliza mulheres desde a infância, ensinando-as a se proteger de olhares e culpabilizando seus trajes como se fossem causa de atitudes alheias. Para ela, a reação ao babydoll expôs esse mecanismo.

Imagem: Ap

O episódio reacendeu conversas sobre representações femininas na música e sobre como o julgamento público muda conforme a estética adotada. Entre elogios e críticas, a artista manteve o tom firme: o que deveria ser uma escolha artística passou a ser analisada sob lentes que, na visão dela, reforçam um problema estrutural.

No fim, a polêmica não ficou restrita ao guarda-roupa: virou pauta sobre quem dita o que é “apropriado” e por que determinadas imagens incomodam mais do que outras. Olivia usou a repercussão para deslocar o foco da aparência para a cultura que a interpreta — um movimento que promete render debates além das redes sociais.