O crescimento acelerado dos projetos de inteligência artificial está gerando uma falta mundial de chips de memória e dispositivos de armazenamento. Apesar da demanda em alta, os principais fabricantes do setor têm evitado ampliar de forma significativa sua capacidade produtiva, motivados pelas oscilações bruscas que caracterizam a indústria de semicondutores.
Demanda impulsionada por data centers de IA
Com a construção de novos data centers dedicados à IA, cresce o consumo de módulos NAND, DRAM e discos rígidos. Essa necessidade, especializada em alto desempenho, reduz a oferta de componentes para mercados consolidados, como computadores pessoais e smartphones. Segundo o analista Joe Moore, do Morgan Stanley, o setor enfrenta um “descompasso geracional entre oferta e demanda”.
Preços em alta alimentam resultados financeiros
A restrição no fornecimento elevou os valores dos chips de memória e refletiu em lucros recordes para alguns fabricantes. A Micron reportou receita e lucro operacional inéditos no último trimestre de 2025. A Samsung, por sua vez, projeta que seu resultado operacional no quarto trimestre deve ser três vezes maior do que o apurado no mesmo período do ano anterior.
Histórico de ciclos e prudência na expansão
Em um cenário normal, preços altos e oferta limitada estimulariam investimentos urgentes em fábricas. No entanto, o setor já passou por fases de expansão excessiva seguidas de quedas acentuadas: em 2023, a Micron, a Western Digital, a Seagate e a SK Hynix encerraram o ano no vermelho. Por isso, a maioria das empresas adota planos de crescimento moderados, evitando riscos de superprodução.
Bolsas em festa, mas sem pressa nos capex
Apesar da performance desfavorável em 2023, as ações de fabricantes como Micron, Seagate e Western Digital mais que dobraram de valor ao longo de 2025. A Sandisk, que se desmembrou da Western Digital no início do ano, multiplicou sua capitalização de mercado por dez, enquanto a SK Hynix registrou altas expressivas em poucos meses. Mesmo com esses ganhos, as companhias mantêm seus planos de investimentos alinhados à capacidade histórica, com exceção de um ligeiro aumento previsto pela Seagate.
Fatores que mantêm a demanda aquecida
Quatro itens explicam o ritmo elevado de consumo de memória:
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- Processamento de modelos de IA da Nvidia e da AMD requer grandes quantidades de DRAM especializada;
- Armazenamento de enormes volumes de dados em discos rígidos e unidades de estado sólido;
- Renovação anual de chips, que demanda memórias mais rápidas e com maior capacidade;
- Investimentos recordes em infraestrutura de tecnologia, com US$ 407 bilhões de capex reunidos por Amazon, Google, Microsoft e Meta em 2025 e projeção de ultrapassar US$ 520 bilhões em 2026.
Apesar de projeções otimistas, como estimativa da Bernstein de crescimento médio anual de 19% nas embarcações de soluções de armazenamento até 2029, os fabricantes mantêm investimentos contidos. A Sandisk, por exemplo, prevê 18% de aumento nos gastos de capital em 2026, mesmo com expansão de 44% na receita.
Para o CEO da Sandisk, David Goeckeler, a falta de contratos de longo prazo no mercado de memória dificulta decisões de grande porte. Ele defende que o lado da demanda assuma compromissos mais duradouros para oferecer previsibilidade e evitar ciclos de prejuízos. Em um setor marcado por oscilações, a prudência segue sendo a estratégia dominante, mesmo diante do forte crescimento da inteligência artificial.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6