Veneza 2026: o renascimento do Pavilhão do Brasil e o pulso da arte contemporânea

Mostra brasileira estreia com obras inéditas de Rosana Paulino e Adriana Varejão; Biennale vive luto, recuos e propostas que provocam

Veneza recebeu uma edição intensa. No centro dela, o Pavilhão do Brasil reapareceu renovado e com uma mostra pensada por Diane Lima que coloca Rosana Paulino e Adriana Varejão em diálogo — obras históricas ao lado de peças produzidas especialmente para a ocasião. A recuperação arquitetônica do pavilhão, conduzida pela Fundação Bienal em articulação com ministérios, devolveu ao espaço uma presença que combina memória e urgência. Caminhar pelos Giardini e pelo Arsenale é atravessar debates vivos: há emoção pela homenagem à curadora Koyo Kouoh, que morreu no ano passado; há tensão após a renúncia coletiva do júri; e há, ao mesmo tempo, o frescor das pesquisas artísticas que mostram por que Veneza ainda dita ritmos e perguntas para o circuito global.

Entre pavilhões, instituições e o impacto para São Paulo

Além do pavilhão brasileiro, a Biennale destacou propostas que mexem com estética e política. Na lista de atenção: Yto Barrada (França/Marrocos), o espanhol Oriol Vilanova, a vietnamita Sung Tieu ao lado de Henrike Naumann (Alemanha) e o Pavilhão da Índia, curado por Amin Jaffer, que repensa a ideia de lar. O Vaticano apareceu em programação sensível, assinada por Hans Ulrich Obrist e Ben Vickers. A cena também fervilha em instituições paralelas: a Fondazione Dries Van Noten recupera artesanato em grande escala; a Fondazione Prada emparelha Arthur Jafa e Richard Prince sob curadoria de Nancy Spector; e a Pinault Collection mantém espaço para Paulo Nazareth, Lorna Simpson, Michael Armitage e Amar Kanwar. Algumas mostras geraram controvérsia — casos nos pavilhões da Áustria e do Japão dominaram conversas nos corredores. Voltei ao Brasil com a sensação de missão. Em setembro de 2027, quando a Bienal de São Paulo abrir as portas do Ciccillo Matarazzo, esperamos transformar essa energia em programação ampla, acessível e provocadora — um convite para que públicos diversos se encontrem com a arte.

Imagem: Simone Padovani/Getty Images