Tokenização pode tornar pagamentos internacionais mais baratos e rápidos, diz diretora do Banco da Inglaterra

Megan Greene afirmou, em painel na Conferência Econômica da Croácia, que depósitos tokenizados devem ser a primeira onda a ganhar escala — enquanto moedas digitais de bancos centrais enfrentam burocracia

Megan Greene, diretora do Banco da Inglaterra, afirmou que a tokenização tem potencial real para reduzir custos e encurtar prazos de transferências — especialmente as transfronteiriças. A declaração foi feita durante um debate sobre stablecoins na Conferência Econômica realizada na Croácia.

Segundo Greene, a mudança mais imediata não virá de moedas digitais emitidas por bancos centrais, que passam por processos regulatórios e institucionais lentos. Em contraste, depósitos tokenizados — versões digitais de depósitos bancários — tendem a decolar primeiro por serem mais fáceis de implementar e integrar aos sistemas de pagamento existentes.

O argumento chama atenção pelo contraste: soluções privadas e tokenizadas podem entregar liquidez e velocidade rapidamente, enquanto projetos públicos, como o euro digital, ainda enfrentem prazos longos para amadurecer. Greene chegou a citar expectativas que colocam lançamentos de alguns CBDCs anos à frente.

Estabilidade, regulação e o futuro das stablecoins

A diretora também destacou que nem todas as stablecoins são igualmente confiáveis. A percepção de “estabilidade” pode esconder fragilidades na composição dos ativos de reserva. Por isso, o Banco da Inglaterra tem se concentrado em criar regras que obriguem maior diversificação e transparência nos colchões de liquidez dessas moedas.

Na prática, a proposta é que reservas vinculadas a uma stablecoin reflitam a natureza dos ativos do país; uma moeda atrelada à libra teria parte das garantias em ativos britânicos, por exemplo. A intenção é reduzir risco sistêmico e alinhar instrumentos digitais ao mercado financeiro doméstico.

Imagem: Ap

O cenário desenhado por Greene aponta para uma transição em camadas: primeiro, eficiência operacional e ganhos de custo via tokenização de depósitos e infraestrutura privada; depois, incorporação gradual de moedas digitais reguladas, com salvaguardas mais rígidas. Para usuários e empresas, a promessa é clara: transferências mais rápidas, custos menores e maior liquidez — se a regulação acompanhar o ritmo das inovações.

O debate na Croácia deixou evidente que a corrida por pagamentos mais eficientes entrou numa nova fase, em que tecnologia e supervisão caminham juntas — e onde a primeira aplicação prática pode surgir antes mesmo das grandes iniciativas estatais ficarem prontas.