Primeira mulher em 43 anos no Korzus: Jéssica Falchi coloca a guitarra no centro do thrash

Da estreia instrumental ao palco histórico — uma trajetória que passa pelo estúdio, pela estrada e pela tela da Band

Jéssica Falchi não espera microfones para ser ouvida: faz da guitarra a linha narradora. Entre turnês internacionais, colaborações com nomes consagrados e vídeos que ganharam atenção além das fronteiras, ela estreou um projeto solo e hoje divide o tempo entre composições autorais e apresentações intensas — inclusive com transmissão na Band.

Solace: quando a guitarra vira voz

O EP Solace nasceu de um impulso simples: mostrar o lado melódico da guitarra sem recorrer ao vocal. Em quatro faixas, Falchi explora climas distintos — do thrash cortante de Sweetchasm, Pt. 2 às paisagens mais contemplativas de Sunflare — e transforma técnica em narrativa, com arranjos pensados para guiar o ouvinte.

O trabalho começou como uma apresentação para um podcast de guitarristas e ganhou corpo quando o produtor Jean Patton entrou no processo. O resultado foi um registro instrumental que busca falar com qualquer público, não apenas com quem toca o instrumento.

Korzus: entrar para a história e somar legado

A convite internalizado pela banda após uma reformulação, Jéssica passou a dividir guitarras com colegas que ajudaram a definir o thrash no Brasil. A experiência, ela diz, tem sido intensa: tocar ao lado de veteranos traz aprendizado, responsabilidade e espaço para adicionar sua própria personalidade ao repertório.

O diálogo no palco estreita laços e mostra como gerações diferentes podem reforçar uma mesma sonoridade sem perder identidade.

Barreiras, representatividade e o efeito de servir de exemplo

Mesmo com uma carreira que inclui grandes festivais e turnês, Jéssica reconhece que obstáculos persistem para mulheres no metal. A presença feminina em posições de destaque, entretanto, deixa de ser exceção ao virar imagem cotidiana: quando meninas a veem no palco, a noção de possibilidade muda.

Imagem: Divulgação

Para ela, o significado de ser a primeira mulher a integrar o Korzus em 43 anos ultrapassa a conquista pessoal — é um sinal de transformação para toda a cena.

A proteção do trabalho autoral: Abramus na rotina de uma compositora

Ligada à Abramus, Falchi destaca a importância de entender direitos e mecanismos de arrecadação. Para artistas independentes, esse suporte é essencial para profissionalizar a carreira e garantir que a obra seja valorizada e remunerada de forma adequada.

O acompanhamento institucional permite que a música exista com segurança, liberando espaço para a criação.

O próximo ato

Entre estúdios, palcos e novos projetos, Jéssica segue ampliando a voz da guitarra. O equilíbrio entre técnica, sensibilidade e presença nos torna testemunhas de uma mudança real dentro do metal brasileiro — e a transmissão na Band leva essa narrativa a um público maior.