Ibovespa cai cerca de 1% com ameaça de tarifas dos EUA e escalada no Oriente Médio
Proposta do USTR para taxar exportações brasileiras e a alta do petróleo pressionam ações; dólar passa dos R$5,03 e juros futuros sobem
O Ibovespa abriu em queda e recuou para cerca de 171,3 mil pontos nesta quarta-feira, num dia em que dois fatores dominaram o humor dos investidores: a possibilidade de tarifas significativas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e uma nova rodada de tensões entre EUA e Irã que elevou o preço do petróleo.
O Escritório de Representação Comercial dos EUA (USTR) avançou com propostas que incluiriam sobretaxas sobre algumas exportações — movimento que colocou o risco de barreiras comerciais no radar do mercado doméstico. Ao mesmo tempo, notícias sobre confrontos no Golfo reacenderam o receio de oferta mais apertada de petróleo, empurrando preços para cima e ampliando a aversão ao risco global.
O câmbio acompanhou a aversão: o dólar comercial se aproximou de R$ 5,03–5,04. Juros futuros operaram em alta em toda a curva. No pregão, bancos e varejistas registraram perdas expressivas, enquanto setores ligados a commodities sentiram a volatilidade intradiária.
Contexto: números, setores e o que está por trás do movimento
Do lado doméstico, sinais mistos chegaram junto às notícias internacionais. A produção industrial mostrou fôlego ao registrar alta de 0,7% em abril — a quarta leitura positiva seguida —, mas o setor de serviços deu recuo de dinamismo: o PMI de maio ficou em 50,4, muito próximo da marca que separa expansão de estagnação.
No exterior, o mercado acompanhou dados de emprego dos EUA que mostraram criação de vagas no setor privado (ADP apontou +122 mil em maio), mas isso não foi suficiente para neutralizar o impacto das incertezas geopolíticas e comerciais. O índice de volatilidade (VIX) subiu, sinalizando aumento da cautela entre investidores.
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Entre as ações, varejistas como MGLU3 e outras cédulas do consumo abriram em queda acentuada. Vale e Petrobras oscilaram em pregões marcados por vendas pontuais. Analistas consultados pelo mercado lembraram que a proposta tarifária ainda passará por etapas formais de investigação e consulta pública, mas a menção ao tema já bastou para acelerar decisões de risco no curto prazo.
De Brasília ao exterior, a combinação de risco político-comercial e um cenário de oferta de petróleo mais apertado reorganiza posições: o dia tende a ser de leitura intensa de dados e de reagrupamento de estratégias por parte de fundos e grandes investidores. A atenção segue voltada para desdobramentos sobre as tarifas propostas e para qualquer nova escalada nas hostilidades no Oriente Médio — elementos que podem definir a direção dos mercados nos próximos dias.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6