Bionematicidas entram em cena para recuperar produtividade e reduzir prejuízos bilionários no campo

Produtos biológicos deixam de ser apenas complemento e começam a reconstruir a saúde do solo

Há perdas que não aparecem nas cotações diárias, mas que definem lucros no fim da safra. Nematóides — organismos microscópicos que atacam raízes — atuam como um freio invisível à produtividade e já respondem por prejuízos que ultrapassam a casa dos bilhões no Brasil.

O inimigo que atua por baixo da terra

À primeira vista, a lavoura parece saudável. Por baixo, raízes perfuradas e canais entupidos por parasitas reduzem a capacidade da planta de absorver água e nutrientes.

Espécies como as que afetam a raiz e o sistema radicular exploram fragilidades do solo: compactação, falta de matéria orgânica e estresse hídrico ampliam o problema. Em conjunto, esses fatores transformam uma presença natural em perda econômica consistente.

Por que o manejo tradicional não basta

Durante décadas, a resposta foi reativa: aplicar produtos após o problema se manifestar. Em muitos casos, o dano já havia minado o potencial produtivo antes da intervenção.

Esse modelo corretivo mostrou limites. Controlar o sintoma não é o mesmo que restaurar a dinâmica biológica por onde a produtividade é construída.

O que os bionematicidas trazem de diferente

Em vez de mirar apenas no inimigo, essas ferramentas atuam sobre o ambiente onde ele vive. Micro-organismos e metabólitos presentes nos bionematicidas competem por espaço, alteram a microbiota da rizosfera e podem estimular maior desenvolvimento radicular.

O resultado tende a ser duplo: redução da população de nematoides e recuperação gradual da capacidade da planta de absorver recursos. Na prática, ganha-se mais estabilidade produtiva ao longo do ciclo.

Mercado em expansão e adoção em ritmo acelerado

A adoção vem crescendo de forma rápida. Relatórios do setor mostram um avanço relevante na área tratada por bionematicidas entre 2024 e 2025, refletindo maior confiança dos produtores nessa abordagem integrada.

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Imagem: Divulgação

Mais do que uma alternativa pontual, esses produtos começam a integrar protocolos que incluem conservação do solo, rotação de culturas e manejo biológico.

Solo como ativo: mudar a pergunta garante decisões diferentes

Quando o solo passa a ser visto como ativo produtivo, a conta muda. Não se trata apenas do custo de aplicar um insumo, mas do valor associado a manter a capacidade produtiva da terra ao longo do tempo.

Áreas com biologia empobrecida exigem mais insumos e geram menor previsibilidade. Incorporar ferramentas que reconstruam a rizosfera é, para muitos produtores, uma escolha estratégica de longo prazo.

O campo que se reconstrói

A transição não elimina práticas tradicionais, mas as complementa com uma abordagem que privilegia prevenção, resiliência e produtividade sustentável.

Ignorar o que acontece abaixo da superfície deixou de ser opção — para quem quer resultado previsível, a pergunta agora é: quanto custa não recuperar o solo?

Talita Cury — empresária no setor do agronegócio, com atuação em gestão familiar, governança e projetos de sustentabilidade; formação em Direito e especialização em Direito do Agronegócio, além de MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Atualmente participa de conselhos e lidera iniciativas relacionadas a ESG e estratégia corporativa.