Dia de tensão: Ibovespa cai 2,22% e dólar retorna acima de R$ 5,06

Recuo das ações e salto do câmbio refletem fuga a ativos de risco após escalada geopolítica e sinais de novas tarifas dos EUA

O mercado brasileiro teve um dia de aperto. As ações voltaram a perder terreno e a moeda americana ganhou força, em um pregão dominado por nervosismo global. Movimentos externos e medidas comerciais dos Estados Unidos pressionaram investidores a reduzir exposição a ativos locais.

Dólar Foto Agência Brasil
Mesmo com a alta da sessão, o dólar segue abaixo do patamar registrado no início de 2026

Bolsa encolhe e perde ritmo

O índice principal da B3 cedeu 2,22% e fechou em 170.330 pontos, devolvendo parte do fôlego que vinha conquistando nas últimas semanas. Foi a maior queda diária desde o início de maio, um sinal claro de que o apetite por risco diminuiu rapidamente.

Ao longo do pregão o Ibovespa chegou a tocar 170.007 pontos, e encerrou o dia no menor patamar desde janeiro. No acumulado da semana o recuo já se aproxima de 2%, enquanto o ganho no ano foi reduzido para pouco acima de 5%.

Investidores citaram dois gatilhos principais: o agravamento das hostilidades no Oriente Médio e o avanço de propostas nos Estados Unidos que podem impor tarifas adicionais sobre parte das exportações brasileiras — um movimento que aumenta a incerteza sobre fluxos comerciais e lucros de empresas exportadoras.

Dólar sobe com busca por segurança

No câmbio, a demanda por dólar ganhou força. A moeda americana subiu cerca de 1,14%, terminando o dia em R$ 5,07 e alcançando picos próximos a R$ 5,09 durante a tarde — nível mais alto desde o início de abril.

O real figurou entre as moedas emergentes com desempenho mais fraco na sessão, afetado pela retirada de recursos da bolsa e por um ajuste de posições antes do feriado de Corpus Christi. Dados mais robustos nos EUA e a perspectiva de juros americanos mais elevados também sustentaram o movimento.

Descubra bolsa cai 2,22%, e dólar volta a subir acima de r$ 5,06

Imagem: Agencia-brasil

Petróleo pressionado pela incerteza

Os preços do petróleo avançaram com a intensificação dos riscos na rota do Estreito de Ormuz. O Brent subiu perto de 1,9%, cotado em torno de US$ 97,8 o barril, enquanto o WTI registrou ganho superior a 2%, aproximando-se de US$ 96.

O aumento das cotações do petróleo reacende temores sobre pressões inflacionárias globais e representa mais um elemento a desestabilizar mercados emergentes, contribuindo para a busca por ativos considerados mais seguros.

Fecho com atenção redobrada

O cenário deixou claro que a combinação entre choques geopolíticos e riscos comerciais pode alterar rapidamente o humor das mesas de negociação. Operadores seguem cautelosos, monitorando desdobramentos internacionais e propostas tarifárias que podem redefinir fluxos de comércio e capital.

Enquanto isso, o mercado brasileiro fecha a sessão em estado de alerta — e prepara-se para reagir a novos sinais vindos tanto do exterior quanto das discussões sobre barreiras comerciais.