226 km, um bote e um triciclo: pai cruza Ironman Brasil ao lado do filho de 6 anos
Em Florianópolis, Gabriel Ferrari puxou um bote no mar, pedalou um triciclo adaptado e empurrou a cadeira para que Lucca, com paralisia cerebral, completasse a prova
A imagem ficou marcada na orla: um homem avançando com o filho ao seu lado, cada metro conquistado em dupla. Gabriel Ferrari, atleta amador, decidiu transformar o Ironman Brasil em uma corrida compartilhada — e terminou os 226 km de uma das provas mais duras do triatlo ao lado de Lucca, seu filho de 6 anos, que vive com paralisia cerebral.
O trajeto: do mar à linha de chegada
O Ironman reúne 3,8 km de natação, 180 km de bicicleta e 42,2 km de corrida. Gabriel fez cada trecho adaptando a rotina para incluir Lucca. No primeiro ato, puxou um bote pela água para que o garoto acompanhasse a natação. Depois, trocou a bicicleta por um triciclo adaptado. Na maratona final, a dupla avançou com a cadeira de rodas, empurrada sem pausa até a raia de chegada em Florianópolis.
Adaptação e resistência física
Não foi só força no corpo: foi logística, técnica e preparo mental. Gabriel ajustou equipamentos, treinou transições e contou com pequenas soluções para manter Lucca seguro e confortável durante horas. Cada troca exigiu ritmo e precisão — e a soma de decisões práticas fez a diferença para que a dupla seguisse em frente.
Motivação que virou impulso
Mais do que completar uma prova, Gabriel quis colocar o filho ao centro da conquista. Ele descreve a experiência como uma troca: enquanto empurra, puxa e pedala, recebe de Lucca coragem e propósito. A corrida deixou de ser apenas um desafio esportivo e virou um gesto de presença radical entre pai e filho.
Reação na chegada
A linha final, tradicionalmente palco de superação individual, virou cena de celebração coletiva. Amigos, voluntários e espectadores aplaudiram quando pai e filho cruzaram juntos. A imagem — Gabriel com o rosto marcado pelo esforço, Lucca ao seu lado — virou símbolo de como o esporte pode incluir e transformar.
Imagem: Divulgação
Impacto além do pódio
O que ficou não é uma medalha, mas a ideia de que limites podem ser redesenhados quando o objetivo é dividir a vitória. A história deles repercute pela simplicidade do gesto e pela força da mensagem: supera-se para estar ao lado de quem mais importa.
Um exemplo em movimento
Em tempos em que histórias de superação viralizam com rapidez, a travessia de Gabriel e Lucca chama atenção pela naturalidade do compromisso. Não se tratou apenas de bater um tempo — foi um projeto afetivo que exigiu horas de dedicação, planejamento e, sobretudo, presença. A última imagem do dia deixou claro: era a dupla, e não o resultado, que importava.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6