Praticamente dez em cada dez pessoas com quem convive diariamente apresentam sinais de estresse, afirma o médico Dr. Arthur Guerra. Segundo ele, muitos pacientes não chegam ao consultório identificando o problema: costumam relatar dores, irritabilidade ou insônia, sem relacionar esses sintomas ao estresse.
De acordo com Dr. Guerra, o estresse comunica-se de maneiras variadas. Quando faltam palavras, manifesta-se no corpo; quando a mente não encontra pausa, fala pelos pensamentos; e, quando não há saída aparente, expressa-se por meio de hábitos. Essa multiplicidade de “linguagens” dificulta o reconhecimento do sofrimento, porque a maior parte das pessoas procura apenas a forma mais óbvia de tensão.
O médico destaca que nem toda alteração comportamental reflete necessariamente perda de controle emocional ou quadro de burnout. Explosões de raiva, fadiga por excesso de trabalho ou distração constante podem ser, na origem, manifestações de estresse. Comportamentos repetitivos — como passar longos períodos nas redes sociais sem perceber, checar mensagens com frequência, adiar tarefas ou realizar compras desnecessárias — também são sinais possíveis.
Outro problema apontado por Dr. Guerra é a interpretação equivocada dos sintomas. Uma mandíbula cerrada durante a noite pode ser entendida como problema articular; um fluxo incessante de pensamentos pode ser rotulado como ansiedade; irritações recorrentes com ações mínimas de terceiros podem ser atribuídas a traços temperamentais; e a dificuldade em recusar pedidos pode ser vista apenas como generosidade.
Segundo o especialista, cada sintoma tende a receber explicações mais simples porque investigar o que está por trás exige esforço maior. Reconhecer as diferentes formas pelas quais o estresse se manifesta não elimina os desafios cotidianos, nem resolve conflitos ou questões financeiras, mas permite identificar o problema antes que ele se agrave.
Com mais de 40 anos de atuação clínica, Dr. Arthur Guerra diz que, na experiência dele, quem adoece por estresse raramente é surpreendido: os sinais costumam estar presentes, embora não sejam decifrados pelo próprio paciente.
Imagem: Getty Images
Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.
Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6