HORÁRIO: 17h03 (Brasília UTC-3) — TRANSMISSÃO: Record

Os preços do petróleo caíram cerca de 3% nesta terça-feira, alcançando o menor patamar em sete semanas, depois que Irã e Israel anunciaram a suspensão dos ataques mútuos em resposta a apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A notícia derrubou o prêmio de risco geopolítico e pressionou cotações que vinham elevadas desde o início do conflito.

Os contratos do Brent recuaram US$ 2,80 (-3%), fechando a US$ 91,45 por barril, enquanto o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) caiu US$ 3,10 (-3,4%), encerrando a US$ 88,20. Foi o fechamento mais baixo do Brent desde 17 de abril e do WTI desde 29 de maio. Pelo menos pela primeira vez em 2026, o Brent fechou abaixo de sua média móvel de 100 dias, considerada nível de suporte técnico.

Analistas da consultoria Ritterbusch and Associates afirmaram em nota que o mercado reage à dissipação do confronto armado entre Israel e Irã, além do impacto das declarações de Trump, que sugeriu que um fim à guerra com o Irã poderia ser alcançado “em dois a três dias”, com negociações em estágio final.

Trump também disse que o Irã derrubou um helicóptero americano no Estreito de Ormuz e ameaçou retaliação; suas palavras fizeram os preços recuperarem parte das mínimas do dia. Na segunda-feira, os dois países haviam informado suspensão de ataques diretos depois de pedido dos EUA, mas Teerã advertiu que retomaria hostilidades caso Israel mantivesse ataques à milícia Hezbollah no Líbano.

Embora o Irã tenha se abstenido de novos ataques até o momento, Israel bombardeou a cidade portuária histórica de Tiro, no sul do Líbano, deixando pelo menos oito mortos. Paralelamente, o Irã segue bloqueando grande parte do tráfego no Estreito de Ormuz — rota que antes da guerra transportava cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito mundial — enquanto os EUA impõem bloqueio aos portos iranianos.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, declarou que o tráfego de navios no Golfo e as exportações pelo Estreito de Ormuz têm aumentado, mesmo com negociações entre Washington e Teerã em curso para tentar encerrar o conflito, que já dura mais de três meses.

A dinâmica global também é afetada pela demanda: as importações de petróleo da China caíram 29% em maio, o menor nível em oito anos, prolongando a retração do maior importador mundial e contribuindo para limitar a alta dos preços internacionais.

Ibovespa

O Ibovespa fechou em alta nesta terça, em dia de recuperação na Bolsa de São Paulo, mas não conseguiu se firmar acima do patamar de 170 mil pontos observado no pico do pregão. O índice subiu 0,68%, a 169.813,15 pontos, atingindo máxima de 170.600,91 e mínima de 168.406,17.

Na sessão anterior, o índice havia renovado mínimas desde janeiro, afastando-se dos recordes intradiários registrados em abril, quando superou os 199 mil pontos. O volume financeiro do dia totalizou R$ 25,45 bilhões, abaixo da média diária do ano (R$ 34,7 bilhões); em junho, a média está em R$ 28,2 bilhões.

O cenário geopolítico seguiu no centro das atenções dos investidores, sem sinais claros de acordo próximo para encerrar o conflito iniciado no fim de fevereiro, mas também sem uma escalada imediata das tensões.

Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, observou que a fragilidade da trégua mantém preocupações sobre pressões inflacionárias decorrentes da alta do petróleo e seus possíveis efeitos nas políticas monetárias, incluindo uma eventual alta de juros.

Destaques

• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 1,82%; BRADESCO PN subiu 1,34%; BANCO DO BRASIL ON teve alta de 0,05%; SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 1,46%; BTG PACTUAL UNIT cresceu 0,69%.

Petróleo recua ao menor nível em sete semanas após suspensão de ataques entre Irã e Israel

Imagem: Getty Images

• VALE ON registrou ganho de 0,55%, apesar de fraqueza nos futuros do minério de ferro na China. A mineradora atualizou o guidance e estimou que sua subsidiária Vale Base Metals (VBM) poderá contribuir com aproximadamente 28% do Ebitda consolidado em 2026.

• PETROBRAS PN recuou 0,12%, em sintonia com o comportamento dos preços do petróleo no exterior; PETRORECONCAVO ON caiu 0,74%, com mercado atento a dados de produção de maio.

• BRASKEM PNA subiu 3,82% após o conselho de administração eleger Magda Chambriard, CEO da Petrobras, como presidente do colegiado da petroquímica e aprovar mudanças na diretoria estatutária; Helcio Tokeshi foi eleito diretor presidente.

• DIRECIONAL ON avançou 4,47% e CURY ON subiu 4,17%; analistas do JPMorgan elevaram recomendação de ambos para “overweight”. MRV&CO ON, cuja recomendação foi reduzida para “neutra”, registrou alta de 0,19%.

• MAGAZINE LUIZA ON valorizou-se 2,81%; a empresa informou que começará esta semana a vender uma seleção de 12 mil produtos no site da Amazon no Brasil.

• TOTVS ON caiu 4,85%, no quinto pregão seguido de queda, refletindo viés negativo do setor de tecnologia no exterior. WEG ON recuou 1,52% em movimento de ajuste após duas altas consecutivas.

Dólar

O dólar à vista encerrou a sessão próximo da estabilidade, caindo 0,05% e cotado a R$ 5,1785. No ano, a moeda acumula baixa de 5,66% frente ao real. Às 17h03, o dólar futuro para julho — o contrato mais líquido no mercado brasileiro — caía 0,36% na B3, a R$ 5,2050.

No dia, a divisa marcou mínima de R$ 5,1501 (-0,60%) às 9h40 e máxima de R$ 5,1946 (+0,26%) às 13h41, logo após declarações de Trump, antes de retornar perto da estabilidade em um pregão de agenda econômica esvaziada. Às 17h14, o índice do dólar, que compara a moeda norte-americana a uma cesta de seis divisas, recuava 0,08%, a 99,958.

As incertezas sobre a continuidade da trégua entre Irã e Israel e as declarações do presidente dos EUA continuaram a influenciar as cotações no mercado cambial.

Com informações de Forbes