Transmissão: Band
O debate sobre qual tecnologia gera menos emissões — carros movidos a etanol ou veículos elétricos — depende principalmente da origem da energia utilizada. O Brasil busca reduzir emissões de carbono pela metade até 2030 em relação a 2005 e alcançar neutralidade climática até 2050, e tanto a eletrificação quanto os biocombustíveis entram como alternativas para atingir essas metas.
Eletricidade não é sinônimo de zero emissões
Em contrapartida, países com matriz fortemente baseada em combustíveis fósseis, como a China — com 60,9% de geração a partir de carvão segundo a Agência Internacional de Energia (IEA) — ou regiões da Europa com participação elevada de petróleo, gás e carvão, têm benefícios menores ao eletrificar suas frotas.
O papel do etanol
O Brasil dispõe também de uma cadeia consolidada de produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, um biocombustível cuja queima tem parte das emissões compensada pelo CO2 absorvido durante o cultivo. Problemas operacionais e técnicos iniciais do etanol foram superados, e o combustível é, segundo especialistas citados, operacionalmente maduro e mais barato que gasolina e diesel, mesmo considerando menor rendimento por litro.
Comparações em números
Um estudo de 2023 da Stellantis simulou um veículo rodando 240,49 quilômetros com quatro opções de energia: etanol (E100), gasolina (E27), elétrico recarregado na matriz brasileira e elétrico recarregado na matriz europeia. A metodologia considerou o ciclo completo de geração e consumo de energia. O resultado mostrou que, em termos de emissões totais, o carro a etanol polui menos do que o elétrico recarregado com eletricidade europeia; já o elétrico recarregado na matriz brasileira apresentou a menor pegada entre as opções avaliadas.
Na interpretação dos resultados, Antonio Filosa, presidente da Stellantis para a América do Sul, destacou a vantagem comparativa da matriz elétrica brasileira e a relevância dos biocombustíveis para uma mobilidade mais sustentável.
Imagem: Ap
De forma resumida: no Brasil, veículos elétricos alimentados pela rede nacional tendem a ter menor pegada de carbono; em países com matriz dominada por fósseis, o etanol pode ser menos poluente que o elétrico; ambos, porém, poluem menos do que automóveis movidos à gasolina.
Especialistas ouvidos defendem que o país não precisa escolher apenas uma rota: a combinação entre eletrificação e biocombustíveis permitiria reduzir emissões aproveitando infraestrutura existente. Marcio Severine, conselheiro e diretor de infraestrutura da ABVE e sócio-diretor da MOBILITAS Tecnologia e Energia, defende a diversificação para que o consumidor possa optar pela solução mais adequada. Fabio Delatore, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, aponta que o Brasil conta com múltiplas alternativas energéticas — como etanol, biometano e biodiesel — que acrescentam flexibilidade às políticas de mobilidade sustentável.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6