A Alphabet, controladora do Google, informou na sexta-feira (12) que vai apresentar recurso contra uma sentença do tribunal de Munique (Alemanha) que atribuiu à empresa responsabilidade legal por afirmações falsas incluídas nos chamados AI Overviews, recurso que mostra resumos produzidos por inteligência artificial acima dos resultados tradicionais de busca.

Decisão judicial e argumentos

O tribunal de Munique considerou que os Resumos de IA — ou AI Overviews — devem ser tratados como conteúdo da própria empresa, estabelecendo um precedente relevante que pode atingir outros desenvolvedores de soluções de IA. A empresa afirmou, em comunicado à imprensa, que discorda da decisão e que pretende recorrer.

Segundo a ação, movida por duas editoras alemãs, os AI Overviews chegaram a associar indevidamente as casas editoriais a golpes e práticas comerciais questionáveis. Em resposta, um porta-voz do Google disse por e-mail à Reuters que o caso refere-se a erros específicos e isolados e não à forma como a ferramenta resume conteúdo da web, e que a companhia buscará reverter a decisão.

Contexto e consequências

A tecnologia de resumos automáticos do Google condensa informações da internet para apresentar respostas rápidas aos usuários. A empresa reconheceu que a maior parte desses resumos é precisa, mas admitiu também que podem ocorrer situações em que o texto perde contexto ou interpreta de forma equivocada o material original disponível online.

A inclusão de funcionalidades de IA nos resultados de busca tem provocado críticas de editores e fornecedores de conteúdo, que afirmam ter sentido impactos negativos em tráfego, audiência e receita. Além disso, autoridades antitruste já investigam aspectos dessa integração entre mecanismos de busca e ferramentas de inteligência artificial.

Google recorrerá de decisão alemã que o responsabiliza por resumos gerados por IA

Imagem: Divulgação

O Google afirma adotar medidas rápidas quando identifica violações às suas políticas relativas aos AI Overviews e se compromete a aprimorar a precisão da tecnologia. A empresa agora seguirá para instâncias superiores da Justiça alemã na tentativa de reverter a sentença de Munique.

A decisão e o recurso devem ser acompanhados de perto por empresas do setor, que veem no desfecho judicial um possível marco regulatório sobre a responsabilidade por conteúdo gerado por sistemas automatizados.

Com informações de Olhardigital