Transmissão: Globo
Em 11 de junho, autoridades meteorológicas internacionais confirmaram oficialmente a chegada do El Niño, fenômeno natural capaz de alterar padrões climáticos em diferentes continentes. A ativação do evento inicia um ciclo de transformações atmosféricas e oceânicas que pode afetar milhões de pessoas em áreas urbanas e rurais.
O que é e como se forma
O El Niño tem origem no Oceano Pacífico Equatorial. Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste, empurrando águas superficiais quentes em direção à Indonésia e Austrália, enquanto águas frias e ricas em nutrientes emergem junto à costa da América do Sul. O fenômeno ocorre quando esses ventos enfraquecem significativamente e a massa de água quente que fica no Pacífico oeste se desloca em direção ao centro e ao leste do oceano, elevando a temperatura próxima ao Peru e ao Equador.
O aquecimento de uma vasta área oceânica altera o local de formação de grandes nuvens de tempestade e, por consequência, modifica correntes de ar em escala global — efeitos conhecidos como teleconexões —, com repercussões no clima de várias regiões do planeta.
Impactos por região
O climatologista Carlos Nobre, doutor em Meteorologia pelo MIT, afirma que o El Niño atinge zonas tropicais, subtropicais e latitudes médias, caracterizando-se como um evento de alcance global. No Brasil, ele tende a provocar chuvas intensas no Sul e secas na Amazônia e no Nordeste. Outros territórios afetados listados pelo especialista incluem México, sul dos Estados Unidos, costa da Colômbia e do Equador, além de áreas que podem enfrentar estiagens na Índia, na África Austral e na Indonésia.
Na América do Norte, o El Niño costuma desviar a corrente de jato em altos níveis da atmosfera, o que geralmente resulta em invernos mais chuvosos e tempestuosos no sul dos Estados Unidos, enquanto o Canadá e o norte dos EUA tendem a registrar temperaturas acima da média e menos neve.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o leste da África pode ter chuvas acima do normal, com risco de enchentes, enquanto o sul do continente africano corre maior risco de seca, afetando a segurança alimentar de populações dependentes da agricultura de subsistência.
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Riscos e medidas de adaptação
Especialistas alertam que o aquecimento atual do Oceano Pacífico aumenta a probabilidade de que este El Niño seja mais intenso. Carlos Nobre e outros climatologistas destacam que a crise climática pode amplificar os efeitos do fenômeno, sobretudo quando outros oceanos também apresentam temperaturas acima da média.
Oswaldo Lucon, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), ressalta a necessidade de preparar sistemas de resposta: brigadas de incêndio, planos de contingência para gestão hídrica e estruturas de apoio para populações vulneráveis, como espaços climatizados. Em perspectiva de longo prazo, Lucon defende financiamento para adaptação seguindo o princípio do “poluidor-pagador”, envolvendo produtores e consumidores de combustíveis fósseis.
O pesquisador também alerta para o risco de rupturas irreversíveis em ecossistemas — pontos de não retorno —, lembrando que perdas como o degelo de geleiras ou a extinção de espécies têm consequências permanentes e em cascata.
O monitoramento contínuo e a implementação de medidas de preparação e mitigação são apresentados pelos especialistas como prioridades diante do El Niño agora confirmado.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6