Conceito e origem do disco

O cantor e compositor brasileiro Luca Argel, radicado em Portugal desde 2012, estreia em 23 de janeiro seu quinto álbum autoral, O homem triste. Inspirado pela percepção de que o afilhado voltou da escola mais agressivo e rejeitando cores, roupas e brinquedos que antes gostava, Argel decidiu explorar como a masculinidade tóxica se instala já na infância e repercute na vida adulta.

Produção e capa

O álbum foi produzido por Moreno Veloso e reúne a arte de capa criada por Marina Poppovic, que dialoga diretamente com o tema central das nove faixas autorais. Gravado entre Rio de Janeiro e Almada (Portugal), o projeto conta com uma banda formada por Alberto Continentino (baixo), Domenico Lancellotti (bateria), Leo Martins (percussão), Pedro Sá (guitarra) e Pri Azevedo (piano, sanfona e teclados), além de cordas orquestradas por Marcelo Caldi e participação de Moreno Veloso na “faça e prato”.

Temas e destaques das faixas

No single-título, Argel sintetiza o conceito: “Foi na TV que aprendi a ser homem / Foi na escola e nos filmes de herói / Ser o maior, o mais forte, o primeiro / E ainda não sentir-se inteiro”. A letra inclui referências a “Canal zero” (Manel Cruz, 2008) e “Homem” (Caetano Veloso, 2006), reforçando o diálogo com a tradição musical brasileira.

Entre os destaques está “Primeiro mar”, que flerta com o reggae ao evocar a ligação uterina: “O primeiro mar de todo mundo / Fica dentro de uma mulher / E no seu olhar fica o segundo / De onde ninguém sai porque quer”. Em “Tive que mentir” e “É pedir demais?”, de clima bossa nova, o artista reflete sobre as cobranças de perfeição e as fragilidades masculinas.

Na faixa “Homem (a canção)”, Argel aborda os limites do prazer corporal: “Poço / De tesouros da sola do pé até o pescoço / De textura e aromas da casca ao caroço / Onde é permitida a dor / E o dar”. “Meu irmão” destaca a suavidade da sanfona de Pri Azevedo, enquanto “Se acabou” traz uma vertente sambista mais evidente.

Imagem: Obra de Marina Poppovic

O encerramento fica por conta de “Quando a cura começa”, composição assinada por Argel e César Lacerda, que sugere uma luz no fim do túnel para homens marcados pelos padrões rígidos desde a infância. Sobre acordes de piano, a letra conclui: “Não há tempo pro pavor / E não há tempo pra adiar o amor”.

Com nove faixas, O homem triste aprofunda o diálogo de Luca Argel sobre masculinidade, marcando uma nova etapa em sua produção musical no século XXI.

Com informações de G1