Por Bruno Ruiz, sócio-fundador do Grupo b+ca
A aproximação da Copa do Mundo reforça uma mudança já em curso na indústria criativa: o audiovisual deixou de ser apenas um filme publicitário estático para funcionar como um conteúdo dinâmico, capaz de se moldar em tempo real às redes sociais e ao comportamento do público. Campanhas contemporâneas são pensadas desde o início para gerar desdobramentos — cortes, bastidores, reações e versões rápidas — destinados a plataformas diferentes.
A inteligência artificial intensifica essa capacidade, permitindo que marcas ajustem materiais em questão de minutos conforme o contexto, a audiência e a evolução dos jogos. Ainda assim, especialistas apontam que escala não equivale a relevância: com a democratização das ferramentas, a autenticidade passa a ser um diferencial competitivo para marcas, criadores e produtoras.
Um caso citado como premonitório ocorreu na Copa de 2022, quando Publiset e Tunad adotaram recursos de IA para sincronizar ações digitais aos acontecimentos do jogo. Gols, pênaltis e intervalos acionavam conteúdos específicos em tempo real, integrando mídia offline e online por meio de uma operação guiada por momentos de marketing.
O fenômeno ressalta que a comunicação precisa acompanhar a velocidade da cultura. Estimativas de mercado indicaram que os investimentos publicitários relacionados à Copa de 2022 ultrapassaram R$ 1 bilhão apenas em patrocínios televisivos, com projeções que superaram R$ 2,8 bilhões ao considerar todo o ecossistema de mídia.
No ambiente de alta concorrência por atenção, obter relevância deixou de ser só questão de exposição: passou a depender de contexto, timing e adequação ao público. Conteúdos que soam espontâneos e culturalmente conectados tendem a obter melhor resposta, alimentando uma estética de autenticidade nas redes, com linguagem mais conversacional e menos publicitária, influenciada por creators e comunidades digitais.
Ferramentas generativas vêm acelerando a cadeia produtiva, e a indústria já trata a IA como infraestrutura de mercado. Na prática, isso permite automatizar versões de campanhas, adaptar formatos, regionalizar mensagens e multiplicar produções em tempo real — por idioma, comportamento, plataforma ou até pelo clima emocional de uma partida.
Imagem: Divulgação
Ao mesmo tempo, existe o risco de padronização criativa quando todos recorrem às mesmas ferramentas e modelos visuais. Nessa perspectiva, a vantagem competitiva tende a residir no repertório cultural e na direção humana, que permanecem essenciais para a leitura cultural, a construção narrativa e a interpretação dos acontecimentos.
Para grandes eventos como a Copa, a combinação entre velocidade operacional proporcionada pela IA e a manutenção de identidade criativa é imprescindível: marcas precisam atuar rapidamente sem perder sentido para seu público, participando da conversa cultural além de simplesmente marcar presença durante os jogos.
As marcas que se destacarem em 2026 provavelmente serão aquelas que integrarem a inteligência artificial para ampliar alcance e personalização sem esquecer o contexto cultural do momento, preservando o elemento humano que ainda define boas narrativas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6