Um em cada três adultos e 20% dos adolescentes em todo o mundo não alcançam a recomendação mínima de 150 minutos semanais de atividade moderada, e os índices gerais de exercício permanecem praticamente inalterados nas últimas duas décadas, segundo pesquisa publicada em 2026. A falta de avanço contribui para milhões de mortes anuais e para o aumento de doenças crônicas.

O estudo, publicado na revista Nature Health e liderado por pesquisadores da Universidade do Texas (EUA), examinou documentos de políticas de 200 países no período de 2004 a 2025. Apesar de a maioria das nações ter adotado medidas formais para estimular a prática de exercícios, os autores identificaram pouco efeito mensurável sobre o nível de atividade da população.

Especialistas consultados apontam falhas na implementação como fatores que limitam os resultados. Everton Crivoi, profissional de educação física do Espaço Einstein de Esporte e Reabilitação, do Hospital Israelita Einstein, observa que o problema não é a falta de evidências científicas sobre os benefícios do exercício, mas a ausência de priorização e capacidade de execução em escala populacional. Crivoi é doutor em Ciências do Esporte.

A pesquisa indica que muitas políticas permanecem no papel: há escassez de metas objetivas, financiamento contínuo e definição clara de responsabilidades entre agências e setores. Em diversos países, as ações parecem cumprir mais a função de fornecer dados para indicadores globais do que promover mudanças efetivas no comportamento cotidiano das pessoas, segundo avaliação dos autores.

Na prática, a adesão à atividade física tende a refletir as condições do ambiente e a facilidade de acesso a opções ativas, mais do que o simples conhecimento sobre seus benefícios — como redução do risco cardiovascular e melhora da saúde mental. Políticas que alteram o contexto urbano, tornando caminhar ou usar transporte público opções viáveis e seguras, mostram maior potencial de impacto do que campanhas educativas isoladas.

Atividade física global continua estagnada há 20 anos, mostra estudo

Imagem: Divulgação

O estudo traz exemplos de mudanças no deslocamento que aumentaram consideravelmente a movimentação diária: em alguns casos, a troca do carro pelo transporte público elevou a média de passos de aproximadamente 2.000 para 7.000 por dia. Entretanto, o trabalho não detalhou quais intervenções são mais eficazes em contextos específicos nem investigou em profundidade as diferenças culturais e as desigualdades socioeconômicas que afetam o comportamento.

Para Crivoi, o desafio agora é converter o conhecimento sobre os benefícios da atividade física em ações estruturais e integradas entre setores, com organização e tomada de decisão que permitam intervenções em larga escala, em vez de buscar apenas novas evidências científicas.

Com informações de Fitnessbrasil