Em outubro de 1962, no auge da crise dos mísseis de Cuba, o então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, optou por não ceder à pressão de seus generais e aguardou antes de autorizar uma ação militar, apesar de mísseis soviéticos estarem a cerca de 130 quilômetros da Flórida. A decisão de esperar — e de sustentar essa posição diante de recomendações contrárias — contribuiu para o desfecho da crise.

Ao mesmo tempo em que a história de Kennedy ilustra o papel da paciência em situações críticas, programas de formação de lideranças, de MBAs a treinamentos empresariais, costumam valorizar sobretudo a ação rápida. Nesses contextos, decidir depressa é frequentemente equiparado a competência, velocidade a clareza e movimento a progresso, reforçando a ideia de que quem espera fracassa.

Por que a calma é desvalorizada

Há três razões apontadas para a pouca valorização da espera como atributo de liderança. A primeira é prática: quando um líder age e a situação melhora, a ação costuma ser creditada a ele; quando aguarda e o resultado é positivo, o mérito frequentemente é atribuído às circunstâncias. A segunda razão é estrutural: ciclos trimestrais, metas como OKRs, reuniões de conselho e exigências de reporte criam um ambiente que premia a demonstração contínua de atividade. A terceira é psicológica: não agir costuma ser mais difícil que agir, porque a ação reduz a ansiedade imediata, enquanto esperar obriga o líder a conviver com desconforto.

Os líderes eficazes, segundo o levantamento, desenvolvem a capacidade de distinguir dois impulsos: agir porque a situação exige intervenção e agir para aliviar a própria ansiedade. O primeiro corresponde a uma tomada de decisão responsável; o segundo, a uma reação motivada por pressa.

Quatro práticas para aprender a esperar

O texto apresenta quatro exercícios práticos, inspirados em gestores que praticam a espera adequada:

1. Teste das 24 horas para informações ambíguas: quando surgir uma nova informação que pareça exigir resposta imediata, aguarde 24 horas antes de decidir, salvo risco de vidas ou perda financeira significativa. Muitas urgências parecem diferentes após um dia.

2. Pergunte quem se beneficia da sua pressa: identifique a origem da pressão para decidir rapidamente. Se a urgência favorece quem pressiona — por exemplo, um fornecedor fechando o trimestre — isso é motivo para desacelerar.

A calma como habilidade central da liderança: esperar pode ser melhor que agir

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3. Observe o ritmo natural do sistema: verifique em que direção a situação já está caminhando. Sistemas e projetos costumam evoluir por si só; intervir contra esse impulso pode piorar o resultado.

4. Faça uma leitura do seu corpo: perceba onde aparece o impulso de agir. Sensação de pressão no peito e respiração acelerada tendem a indicar ansiedade; sensação mais assente no abdômen sugere firmeza e percepção.

O argumento não é recomendar menos ação, mas agir com base na capacidade de esperar quando isso for mais apropriado. Decisões tomadas a partir da espera consciente diferem qualitativamente daquelas motivadas pela incapacidade de tolerar o tempo de observação. Exercitar essa postura exige prática, sobretudo na próxima situação em que parecerá que é imprescindível agir de imediato.

Com informações de Fastcompanybrasil