As ações do Santander Brasil acumularam queda de 21% em 2026, desempenho que o coloca como o pior entre os grandes bancos do país no período, enquanto a controladora espanhola teve alta de cerca de 24% no mesmo intervalo. A diferença ampliou o desconto da subsidiária brasileira em relação à matriz para o maior patamar desde o IPO, em 2009.

O mercado monitora a deterioração contínua da relação entre valor de mercado e valor patrimonial por ação do Santander Brasil, enquanto a avaliação da controladora segue trajetória oposta. Analistas apontam que esse descolamento torna mais plausível, do ponto de vista financeiro, uma eventual oferta para comprar as ações em circulação dos minoritários.

O tema voltou ao foco após relatório do UBS BB que considerou não ser possível descartar uma nova proposta de aquisição das ações de minoritários. A avaliação somou-se a observações da Genial Investimentos, que em 2025 já havia destacado múltiplos descontados, um free float de aproximadamente 10% e a forte geração de capital do Grupo Santander como elementos que criariam condições para uma operação desse tipo.

A possibilidade não é inédita: em 2014 o Santander tentou retirar a subsidiária brasileira da Bolsa por meio de uma troca de ações com a controladora espanhola, operação que não teve adesão suficiente dos minoritários e deixou cerca de 10% do capital ainda negociado no mercado. Atualmente, essa participação está avaliada em aproximadamente R$ 10,6 bilhões.

Desde então, o grupo promoveu reorganizações societárias em diferentes mercados, incluindo a retirada da Getnet da Bolsa brasileira em 2022, apenas 14 meses após a listagem; o fechamento de capital da operação de financiamento ao consumidor nos Estados Unidos em 2021; e da unidade mexicana em 2023. Mais recentemente, o banco incorporou o britânico TSB, adquirido por 2,65 bilhões de libras, e anunciou a compra da americana Webster Financial por US$ 12,2 bilhões.

Parte do mercado, no entanto, considera improvável uma operação de fechamento de capital no curto prazo. Analistas avaliam que a prioridade do grupo está na integração das aquisições internacionais, o que reduziria a probabilidade de um movimento envolvendo a subsidiária brasileira. Em fevereiro, o então presidente do Santander Brasil, Mario Leão, declarou que o banco não trabalha com essa hipótese.

Santander Brasil acumula queda de 21% em 2026 e amplia desconto histórico frente à matriz

Imagem: Ap

Além das dúvidas sobre governança, o desempenho operacional da unidade brasileira pesa na percepção dos investidores. O Santander Brasil tem maior exposição ao crédito ao consumo do que concorrentes nacionais, o que torna seus resultados mais sensíveis a juros elevados, à inflação e à concorrência das fintechs.

No primeiro trimestre, o retorno sobre o patrimônio líquido tangível (ROTE) do Santander Brasil foi de 14,8%, abaixo dos 26% da operação espanhola e dos 15,2% do grupo consolidado. A meta de médio prazo para a operação brasileira é atingir 20%.

A percepção negativa também foi reforçada pela saída de executivos relevantes, entre elas a do diretor financeiro Gustavo Alejo, que irá assumir a mesma função na XP, e a de Christian Egan, responsável pelo banco de atacado e investimento.

Com informações de Portalin