Um estudo da Edith Cowan University (ECU), na Austrália Ocidental, concluiu que a quantidade de sono ideal para preservar a saúde cerebral varia entre indivíduos e que dormir mais nem sempre reduz o risco de declínio cognitivo. A pesquisa encontrou interação entre variantes genéticas e padrões de sono que influenciam alterações cerebrais associadas ao risco de Alzheimer.

Quem e onde: A pesquisa foi conduzida por cientistas da ECU em colaboração com o Australian Imaging, Biomarker & Lifestyle (AIBL), que acompanha marcadores biológicos e estilo de vida desde 2006.

O que foi analisado

Os pesquisadores estudaram 351 idosos, com média de idades em torno de 75 anos, sem diagnóstico de comprometimento cognitivo, mas com sinais de acúmulo de amiloide no cérebro — proteína relacionada à formação de placas associadas à doença de Alzheimer. Foram avaliadas 13 variantes comuns do gene AQP4, envolvido no processo de “limpeza” cerebral durante o sono, e comparadas com relatos dos participantes sobre seus hábitos de sono.

Além dos questionários sobre sono, o trabalho incluiu exames cerebrais e uma bateria de testes cognitivos repetidos em seis domínios, entre eles memória, linguagem e atenção.

Principais achados

Os resultados mostraram que os efeitos do sono sobre a estrutura e o funcionamento cerebral dependem da variante do gene AQP4 que o indivíduo possui. Em alguns casos, períodos de sono mais curtos foram associados a uma perda mais rápida de massa cinzenta. Em outros, as mudanças cerebrais estavam relacionadas sobretudo ao tempo que a pessoa levava para adormecer.

De forma contrária à ideia de que mais sono é sempre melhor, pelo menos para uma das variantes estudadas houve associação entre dormir por mais tempo e queda cognitiva maior, em comparação com quem dormia menos.

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Imagem: Divulgação

A pesquisadora de pós-doutorado Ayeisha Milligan Armstrong, do Centre for Precision Health, ressaltou que não é apenas a presença de certas variantes genéticas que decide o efeito, mas a interação entre esses genes e o comportamento de sono de cada pessoa.

Implicações e recomendações

Simon Laws, diretor do Centre for Precision Health da Edith Cowan University, afirmou que não há um número único de horas de sono que sirva igualmente para todos; o que importa é a interação entre perfil genético e padrões de sono. Os autores ressaltam que recomendações gerais continuam válidas, como manter horários regulares, cuidar da qualidade do sono e tratar condições como a apneia.

Os pesquisadores também enfatizam que o risco de Alzheimer não depende de um único gene ou hábito. Alimentação, atividade física e outros fatores de saúde permanecem relevantes. Como próximo passo, pretendem investigar se intervenções no sono adaptadas ao perfil genético de cada paciente podem reduzir o risco de declínio cognitivo ao longo do tempo.

Com informações de Fastcompanybrasil