Pesquisadores identificaram uma falha grave no sistema operacional Linux que permaneceu presente por quase 16 anos e afeta servidores equipados com processadores Intel e AMD. Batizada de Januscape, a vulnerabilidade reside no kernel e possibilitava que um atacante obtivesse controle total do servidor físico que hospeda várias máquinas virtuais.

O que é e como funciona

O Januscape quebra um mecanismo de isolamento do sistema usado em ambientes que adotam virtualização com arquitetura x86. Segundo o relatório, um criminoso poderia alugar uma máquina virtual em um provedor de nuvem pública e, a partir dessa instância, explorar a falha para executar código com privilégios de nível máximo no host — o servidor que gerencia as VMs dos clientes. O resultado seria acesso irrestrito aos dados e ao hardware da máquina física.

Para acionar o ataque, o invasor precisa inicialmente de privilégios de administrador dentro da própria máquina virtual. Caso não disponha desse nível de acesso, a exploração poderia ser combinada com outra vulnerabilidade conhecida como Dirty Frag, que permitiria escalar privilégios locais antes de atacar o host.

Impacto e alcance

Especialistas descrevem a falha como inédita em processadores x86 da Intel e AMD, com potencial para consequências extensas: um invasor que comprometesse o host poderia controlar todas as máquinas virtuais de outros clientes naquele servidor, expondo grandes volumes de dados confidenciais. Como o bug afeta arquiteturas recentes da Intel e AMD, data centers com servidores minimamente modernos estariam vulneráveis.

Além da exfiltração de dados, a exploração poderia provocar um Kernel Panic, causando a queda imediata do servidor e deixando indisponíveis os serviços hospedados para todos os clientes.

O código vulnerável foi introduzido em 1º de agosto de 2010, o que significa que a falha permaneceu sem detecção por quase 16 anos. Dispositivos baseados em processadores ARM64 não são afetados pelo Januscape.

Imagem: Divulgação

Correção e recomendações

Quem administra servidores próprios precisa aplicar o patch identificado pelo hash 81ccda30b4e8 no kernel do host para mitigar o problema. Usuários finais sem servidores próprios não precisam tomar medidas. Grandes provedores e empresas como Amazon e Google provavelmente já implementaram a correção em seus ambientes.

A descoberta foi divulgada pelo pesquisador Hyunwoo Kim, que também demonstrou o processo de exploração em ambiente de teste.

Com informações de Tecmundo