A Thinking Machines Lab, liderada por Mira Murati, ex-diretora de tecnologia da OpenAI, anunciou o lançamento do seu primeiro modelo de inteligência artificial, chamado Inkling. A empresa descreve o sistema como baseado em uma arquitetura de “pesos abertos” que permite a desenvolvedores e organizações adaptar o modelo com seus próprios dados.

Quem, o que e por que

A startup apresenta o Inkling como uma alternativa que busca equilibrar desempenho, custo e flexibilidade, em vez de disputar diretamente com os modelos proprietários mais potentes do mercado. Segundo a Thinking Machines, a proposta visa oferecer maior capacidade de personalização para empresas que não querem depender apenas de soluções fechadas.

Como é o modelo

O Inkling foi treinado com um total de 975 bilhões de parâmetros. No entanto, a empresa afirma que apenas 41 bilhões desses parâmetros permanecem ativos durante cada consulta, de modo que apenas uma fração da arquitetura é utilizada por vez. Essa estratégia, segundo a Thinking Machines, reduz custos computacionais e acelera o tempo de resposta.

Plataforma de ajuste fino

O modelo pode ser ajustado por meio do produto Tinker, a primeira ferramenta comercial da empresa. O Tinker funciona em nuvem e foi desenhado para permitir que pesquisadores e desenvolvedores realizem o fine-tuning de grandes modelos sem a necessidade de gerenciar infraestrutura de supercomputação — tarefa que a empresa afirma ser possível até a partir de um laptop.

Parcerias e resultados

Em março, a Thinking Machines firmou uma parceria plurianual com a Nvidia, que incluiu investimento e o compromisso de a startup empregar ao menos um gigawatt de chips de última geração para treinar e operar modelos futuros. A companhia informou que o pré-treinamento do Inkling utilizou 45 milhões de tokens compostos por textos, imagens, áudios e vídeos, e que as fases de pós-treinamento combinaram técnicas de destilação com um método próprio de aprendizado por reforço, tudo executado em hardware da Nvidia.

No mês anterior ao lançamento, a Thinking Machines e o fundo Bridgewater Associates divulgaram um relatório sobre o uso do Tinker para ajustar o modelo chinês de pesos abertos Qwen3-235B com dados da Bridgewater. De acordo com esse relatório, o modelo ajustado superou o GPT-5 e o Claude Opus na triagem de documentos financeiros, além de reduzir os custos de computação em mais de 13 vezes.

Imagem: Divulgação

Segurança e manifesto

A companhia afirmou ter submetido o Inkling a testes de segurança antes do lançamento, incluindo cenários relacionados à possibilidade de ajudar na construção de armas biológicas ou em ataques cibernéticos. A avaliação, segundo a Thinking Machines, indicou bom desempenho frente a esses testes, embora a empresa reconheça que ainda estuda como as proteções incorporadas poderão ser alteradas por terceiros, dado o caráter de pesos abertos do sistema.

Na sexta-feira (10), a Thinking Machines publicou um manifesto defendendo um modelo descentralizado de desenvolvimento de IA, que valoriza o conhecimento local e se opõe ao que descreve como “planejamento central” praticado por laboratórios de código fechado. No documento, a empresa cita o economista Friedrich Hayek ao argumentar que o conhecimento produtivo é muitas vezes tácito, local e mantido de forma privada.

O Inkling chega ao mercado como uma aposta por maior adaptabilidade e controle por parte dos usuários, oferecendo ferramentas que facilitam a customização do modelo por organizações interessadas em manter seus dados e configurações internas.

Com informações de Olhardigital