O Grêmio Catanduvense teve a pior campanha da Segunda Divisão do Campeonato Paulista de 2026: 10 partidas, 10 derrotas, apenas três gols marcados e 59 gols sofridos, incluindo a goleada histórica de 17 a 0 para o Independente de Limeira, a maior registrada no futebol profissional paulista masculino.

O clube, que já esteve na Série A1 em 2012, voltou ao cenário profissional após seis anos de inatividade, mas a retomada terminou em revés esportivo e administrativo. Para tentar explicar o colapso dentro e fora de campo, a Gazeta Esportiva conversou com Marcelo Silva, ex-jogador do Santos e que atuou como executivo de futebol do Catanduvense.

Chegada do executivo e tentativas de montagem do elenco

Contratado em janeiro de 2026 por Sérgio Gomes, Marcelo relatou que foi procurado para contribuir com sua experiência, contatos e negociação de atletas. Entre fevereiro e março, promoveu peneiras em São Paulo, organizou quatro amistosos e selecionou sete jogadores. Também articulou empréstimos de jovens de clubes como Santos, São Caetano e Juventus, com parte dos salários bancados pelas equipes de origem.

Apesar dos esforços, muitas propostas não avançaram por resistências internas. Marcelo afirma que alguns dirigentes consideraram os atletas recrutados “muito novos”, mesmo com o regulamento permitindo atletas até 23 anos.

Antes do início da competição, ele participou de negociação com a Federação Paulista para quitar dívida que impedia a inscrição do clube. A cobrança de cerca de R$ 150 mil foi reduzida para R$ 98 mil e parcelada em dez vezes, conforme o executivo.

Problemas estruturais e ausência de reforços

Ao ir pela primeira vez a Catanduva, Marcelo encontrou o alojamento superlotado — estrutura para 16 atletas com 27 pessoas instaladas e mais de dez dormindo na sala — e contratos irregulares. Segundo ele, muitos jogadores haviam entregue entre R$ 1 mil e R$ 3 mil ao presidente com a promessa de vaga no elenco.

Com as inscrições do BID se encerrando, apenas dois atletas estavam regularizados. Marcelo afirma ter pago, do próprio bolso, as taxas de inscrição dos primeiros 11 jogadores para viabilizar a participação do clube no torneio.

Prisão do presidente e desentendimentos

Sérgio Gomes foi preso em flagrante no dia 4 de abril e liberado em 10 de abril, com medidas cautelares aplicadas — entre elas, restrições de saída noturna e distância da vítima. A Gazeta apurou que esta foi a terceira ocorrência envolvendo violência contra a mulher atribuída ao presidente em Catanduva entre 2024 e 2026.

Após a saída da detenção, Marcelo descreve comportamento do mandatário que o fez reavaliar a situação. Em 14 de abril o clube publicou comunicado informando que o executivo não integrava mais a diretoria e não tinha autorização para representar a agremiação.

Imagem: Fran / Catanduvense

Na estreia contra a Santacruzense, em 19 de abril, o Catanduvense entrou com apenas 11 atletas — cinco oriundos da base — e sem opções de substituição. A delegação saiu para a partida de van às 4h30 (Brasília UTC-3). Segundo Marcelo, promessas de marmitex feitas pelo presidente não foram cumpridas e ele precisou pagar a refeição do elenco do próprio bolso, recebendo apenas R$ 100 de reembolso.

O time sofreu derrotas em todas as dez rodadas da fase; em algumas partidas entrou em campo com dois jogadores a menos do que o permitido e, na última, escalou basicamente jovens da base, pois eram os únicos inscritos ainda disponíveis.

Desfecho e posicionamentos

Marcelo deixou o clube após discussões com Sérgio Gomes e afirma que ainda tem contrato vigente há três meses sem receber salário. Segundo o ex-executivo, ele levou 12 jogadores à delegacia para registro de boletins de ocorrência e tornou públicas as irregularidades junto à torcida organizada e a uma rádio local.

O presidente não respondeu às acusações em contato com a Gazeta Esportiva. Nas redes sociais, Gomes atribuiu os problemas ao executivo, afirmando que Marcelo teria “feito uma bagunça” dentro do clube e prometeu voltar “fortes” em 2027.

Ao longo da última década o Catanduvense acumulou rebaixamentos sucessivos desde a A1 de 2012 até chegar à quinta divisão e, depois de seis anos sem atividade profissional, a tentativa de retomada em 2026 terminou com campanha desastrosa e incerteza quanto ao futuro da agremiação.

Transmissão: YouTube | Canal da Gazeta Esportiva (YouTube)

Com informações de Gazetaesportiva