Resumo: Analistas avaliam que a Medida Provisória 1.376, anunciada pelo governo federal para reestruturar dívidas do setor rural, deve reduzir pressões de inadimplência no curto prazo sobre o Banco do Brasil (BB), mas mantém a visão cautelosa quanto a riscos estruturais e à evolução do crédito agrícola.
O governo publicou na quarta-feira à noite a Medida Provisória 1.376, que institui um amplo programa de renegociação de dívidas do setor rural com taxas de juros de até 12% e prazos que podem alcançar 10 anos, incluindo carência de dois anos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as renegociações podem começar de imediato e somar até R$100 bilhões.
Analistas do Safra apontaram em relatório que o programa oferece alivio financeiro e alongamento de prazos para os produtores, o que tende a melhorar a qualidade dos ativos do banco, já que o custo subsidiado pelo Tesouro pode elevar a capacidade e a disposição dos agricultores em honrar pagamentos.
Para o Bank of America (BofA), o programa pode abranger cerca de 10% da carteira de crédito do Banco do Brasil, o que equivaleria a aproximadamente 60% dos empréstimos inadimplentes e renegociados, considerando que o BB concentre cerca de 50% das operações do programa, em linha com sua participação de mercado.
Mario Pierry e Antonio Ruette, do BofA, acrescentaram que a iniciativa deve reduzir o volume de operações classificadas no Estágio 3, favorecendo a margem financeira (NII), porque essas operações deixam de gerar reconhecimento de receita de juros enquanto estiverem nessa classificação. Ainda assim, a equipe do BofA mantém visão negativa para o crédito agrícola, citando questões estruturais como margens menores e alto nível de alavancagem dos produtores, que tendem a limitar o crescimento da carteira nos próximos um a dois anos.
Os analistas do Safra seguem com avaliação cautelosa sobre o Banco do Brasil em todos os segmentos — varejo, atacado e agronegócio — e mantêm recomendação neutra, apesar do valuation considerado atrativo. O BofA tem recomendação “underperform” para as ações do banco.
Imagem: REUTERS/Ilya Naymushin
Dados da Serasa Experian indicaram que a inadimplência no setor rural ficou em 8,8% no primeiro trimestre de 2026, aumento de 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. A carteira de crédito rural do BB somou R$418,4 bilhões no primeiro trimestre, com índice de inadimplência acima de 90 dias de 6,2% no período, ante 2,76% um ano antes e 6,09% no quarto trimestre de 2025. A linha de custeio registrou 10,56% nesse indicador. O banco divulgará os números do segundo trimestre no dia 12 de agosto.
No início do mês, o BB anunciou R$210 bilhões para o financiamento da safra 2026/27, valor próximo aos R$209 bilhões do ciclo anterior, reafirmando sua participação no financiamento do setor.
Por volta de 14h20 (Brasília UTC-3) desta sexta-feira, as ações do Banco do Brasil recuavam 1,06%, a R$20,54, enquanto o índice do setor financeiro caía 0,62% e o Ibovespa registrava variação positiva de 0,03%.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6